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Call para as paredes!

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Call para as paredes!

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

01
Abr16

Atenção, muita atenção a isto


Se calhar não devia fazer isto mas, como vos tenho em grande consideração deixo-vos este alerta.

Antes para contextualizar deixem-me contar o que aconteceu. 

Há dias estava eu na minha vidinha de menina do call center quando uma chefe, das intermédias, se aproxima de mim e pergunta: - Já viste o novo procedimento? - eu que sou uma 'desligada' respondi que não. 

- Não! - grita ela, naquele tom estridente e arrogante característico dos chefes intermédios que preferem mandar a liderar.

- Não. - respondi, com a minha habitual indiferença a tudo o que se passa por ali.

- Tu já devias saber isto mas, eu vou explicar. Então é assim, sempre que atenderes um cliente clicas nesta setinha para que os dados dele sejam enviados para um ficheiro.

- Um ficheiro!? Para quê?

- Não interessa, só tens que fazer isso, o resto não te diz respeito.

A conversa ficou por ali mas, eu fiquei intrigada. Há hora de almoço as conversas giravam todas em torno do ficheiro, todos estranhavam o procedimento, comentavam que os dados estavam a ser vendidos para que estudassem o perfil dos clientes.

Alguém dizia que amigos, colaboradores de outras operadoras, já tinham falado disso - dizem que estão a vender os dados a extraterrestres.- comentou em surdina. Todos duvidamos, claro. Mas, entretanto vimos, através das enormes vidraças da sala de refeições, chegar um carro preto com vidros pretos que no contexto nos deixou desconfiados. Ficamos a observar. Do carro saiu um homem de ar sisudo, chapéu preto, mala preta, ar de boss. Entrou no edifício e reuniu com os chefes menos intermédios mas, ainda assim bastante intermédios.

Eu voltei para a enxurrada de chamadas habitual e a cada uma clicava na seta como me tinham mandado. Quando chegou a autorização para ir a pausa levantei-me a correr, restavam-me seis minutos nesse dia o cronómetro já estava a contar não queria deixar o xixi a meio e ainda queria beber café. A pressa é inimiga da perfeição e com tanta correria deixei cair a moeda que já levava pronta para sacar um café à máquina automática. O homem sisudo que saíra do carro preto estava ali e apanhou a moeda. Afinal é um sisudo simpático, pensei. Ia agradecer quando me deu a moeda mas, a pele verde e escamada que lhe vi por baixo do punho da camisa não me deixou, bloqueei. O homem era um extraterrestre!

Ou seja, tenham atenção porque os vossos dados estão a ser vendidos a extraterrestres.

Quando voltei ao barracão para terminar o dia, um colega mandou-me uma mensagem dizendo - Querem fazer de nós cobaias. Marca 0 no teu telemóvel seguido do botão de chamada para que não tenham acesso aos teus dados.

Não duvidei da mensagem e fiz o sugerido. 

Agora, ponham-se com coisas, que hoje é dia 01 de Abril, que isto é mentira e não liguem para o Zero. Depois, não digam que não vos avisei.

 

Obrigada, pelo seu contacto! Ou não, estou a dar-me conta de que esta frase é perigosa...

 

 

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