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Call para as paredes!

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

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15
Jun16

do Mindfulness


 

Tenho ouvido falar acerca do mindfulness. Penso ser a nova moda de Verão dos espíritos desocupados.

As pessoas lá da terra costumam dizer que só tem depressões quem não tem mais o que fazer e eu penso que só adere a estas modas quem tem demasiado tempo livre. Quem como eu (e somos tantos!) sai de casa para trabalhar e só volta a entrar 11 horas depois não tem tempo para se dedicar a cada nova moda de 'apaziguamento' que surge. O tempo que nos sobra tem que ser bem aproveitado. Ler, ver um filme, ouvir uma música, olhar para o céu, perseguir o lusco-fusco são prazeres esporádicos com os quais temos que nos bastar, não temos tempo para outros.

Há dias cruzei-me com uma das Conversas Vadias do Agostinho da Silva e enquanto ele discorria acerca do Quinto Império, Camões, Vieira e o Capitalismo pensava que me estavam a valer mais esses 10 minutos do que horas dispensada a gurus modernos, livros de auto-ajuda ou modas. 

 

Foi isto. (a parte do futebol não liguei mas, não deixa de ser adequada ao contexto actual)

 

 

 

"O grande feito do Camões foi contar o que se passava na Ilha dos Amores e não tirar conclusão nenhuma. Nenhuma! (...) Ele não diz o que fizeram esses marinheiros depois de terem aquela experiência extraordinária de terem vivido na Ilha dos Amores. Chegaram a Lisboa, o que é que fizeram? Não se sabe nada. Camões estava cansado? O Vieira não aconteceu assim. Quando ele pensou assim uma Ilha doa Amores, afora isso deve ser dito para o mundo inteiro. Homem porque o Homem deve apaziguar o seu corpo e ouvir o que já não a voz da Deusa, mas a voz do Universo, pensar a sua essência."

"Para que essa Ilha dos Amores possa existir, que o Homem possa entender que o Capitalismo existe não para ficar continuamente, ter mais lucro, descontando mais juros e pagando mais dívidas ou pedindo mais dinheiro emprestado mas para terminar num ponto em que a Economia desapareça completamente, em que haja tudo para todos, primeiro ponto."

"Segundo ponto: que aí o Homem possa passar à sua verdadeira vida, que é a de contemplar o Mundo, de ser poeta do mundo, de tal forma que ninguém se preocupe por fazer tal e tal obra, mas por ser tal ou tal objecto no mundo. Por ser único no mundo, entre os tais biliões que existem. E isso aí é algo que muita gente hoje pode ter como ideal. (...) E que talvez um dia tome conta de todo o Mundo. E quando o nosso amigo diz "Quinto Império" ele está-se a referir aos quatro que desabaram e aquele Império é o Quinto, mas não há Sexto, é aquilo que ficará para todo o sempre."

"No século em que ele (Vieira) viveu não havia muita coisa que hoje. Nem havia esse tipo de Economia que hoje há. As primeiras pessoas que têm o tempo livre, que talvez nunca mais trabalhem, são as que chamamos "desempregados", como se houvesse emprego para eles. E nós temos que resolver esse problema de alimentar e de instruir, e educar os Homens de tempo livre para que eles sejam plenamente os tais "poetas à solta"

 

 

Obrigada, pelo seu contacto!

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