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Call para as paredes!

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Call para as paredes!

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

17
Jun16

Está difícil


Conciliar trabalho e ensino superior é cada vez mais complicado.

As entidades patronais não premeiam a aposta dos colaboradores na formação, não a vêem como necessária para ter pessoas mais preparadas no futuro porque os colaboradores são descartáveis e provisórios. Portanto, a fim de manter o posto de trabalho que, apesar de permeável, lhes permite pagar as contas (só pagar as contas) os trabalhadores de call center canalizam a sua atenção para os objectivos, mensais, semanais, diários e sempre em mutação da empresa em lugar de a canalizarem para as frequências, exames, cadeiras... E mesmo que quisessem, quem pode com horários por turnos que só se conhecem na véspera de mais uma semana começar?

Os cursos arrastam-se à medida que a vida avança e as responsabilidades se alteram.

Um desempregado com formação abaixo da frequência universitária é muitas vezes bandeira política dos partidos que exibem a sua aposta na requalificação. Um jovem adulto com um emprego abaixo da sua formação não é sequer considerado.

Há programas para o regresso ao ensino superior, dirão. Sim há mas, acham que estes jovens que pagaram e pagam os seus impostos, formaram família, compraram ou 'montaram' o seu lar, foram empreendedores e apostaram em empresas que podem não ter dado certo, conseguem sobreviver com pouco mais de 100 euros mês?

Podem pedir um empréstimo, dirão outros. Podem mas, não lho darão porque já têm os seus compromissos e pedem-lhes garantias que se eles ou a família possuíssem não estariam a recorrer a tal mecanismo. Já experimentei!

Está difícil. Acreditem. Acreditem e não me venham vender grandes vitórias de quando trabalharam umas horas nas décadas de 80/90, quando a necessidade de qualificados era tanta que qualquer um a frequentar o ensino superior era professor, funcionário público ou tinha oportunidades de emprego quase certo, de remuneração boa para a época e de onde ainda não devem ter saído. A legislação era a favor de quem estudava, existiam mais opções de cursos em pós-laboral e dois ordenados não tinham que ser, à cabeça, colocados de parte para pagar propinas. Acredito que existiram excepções a esta generalização mas, é difícil mesmo e eu estou farta que me sejam passados atestados de incompetência e burrice por quem não tem a grandeza de saber calçar os sapatos do outro.

Está difícil, era só isso que queria dizer. Está dito.

 

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