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Call para as paredes!

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Call para as paredes!

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

31
Mar19

Não, nós não somos robots


Lembrem-se de que quando ligam para um call center estão a ligar para pessoas como vocês. Podem estar fechadas numa cave, só comer coelho e ter um estranho afeto por tesouras mas sim, são pessoas como vocês.

 

Sketch do SNL, inspirado no filme Us que se ainda não viram deviam ver. Obrigada, pelo contacto.

07
Mar19

Estamos todos convocados para o 8 de Março


 

Caros Ó meninos, todos vós independentemento do credo ou sexo atentai no seguinte:

 

"O STCC fez um pré-aviso para a greve feminista de dia 8 de Março, cujo manifesto foi apresentado pela rede 8 de Março. Estão abrangidas todas as pessoas que prestem serviço na área dos call-center e contact center, seja em funções de front-office, back-office e afins, tal como nas áreas administrativas, IT's e afins, seja em regime de outsourcing ou outro” daqui

 

Portanto,  contrariamente ao que até eu já ouvi no meu local de trabalho dito por um superior, já que o trabalhador não tem, nem antes nem após, a realização de greve que avisar ou justificar a ausência ao trabalho quando abrangido pelo pré-aviso de greve e qualquer tentativa da entidade patronal de que o trabalhador avise previamente da sua participação em greve ou de que a justifique posteriormente, pode ser considerada coação e desrespeito ao direito à greve, do que estais à espera? O STCC é um sindicato de âmbito nacional, ou seja, todas as pessoas que exercem funções no sector estão abrangidas pelo pré-aviso independentemente de serem ou não sindicalizadas. Eu não sou!

 

Dia oito de Março é amanhã, a greve é internacional pelo que as manifestações serão fáceis de encontrar e esperam-se visíveis mas mesmo assim sugiro aos mais distraídos que sigam a Rede 8 de Março .

 

Leiam o manifesto e  percebam porque é que nós não queremos as flores.

 

A greve é laboral, não se resumindo ao sector dos call centers, mas propõe também outras formas de luta para que todos possam participar: greve estudantil, greve ao consumo e aos cuidados, partilhem esta informação não só com os colegas mas com todos os que vos rodeiam.

 

Se vos restarem dúvidas talvez este artigo vos possa ajudar.

 

 

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Não sejais demasiado 'serenos'!

 

ps. A falta é justificada, a ausência por motivo de greve não afecta a concessão de subsídio de assiduidade a que o trabalhador tenha direito.

24
Fev19

Ecos da I Revolução Industrial


 

'É certo que nestes locais de trabalho é mais próprio falar-se não de trabalho em cadeia, mas de trabalho em rede. Só que é suposto que as redes sejam sistemas de colaboração e não sistemas de exploração, “aranhas” telefónicas ou informáticas que, na “teia” mercantil e laboral que tecem, aprisionam económica ou socialmente as pessoas, quer estas sejam clientes/utentes do sistema, quer sejam seus trabalhadores.'

João Fraga de Oliveira in Público, 23 de Fevereiro de 2019

 

Ó Menina que é Ó Menina aproveita o fim-de-semana para ler o Público, informar-se de que o BE e o PS já se mexeram na apresentação de projectos de regulamentação do sector e pensar a I Revolução Industrial.

aqui

 

Votos de uma boa semana!

 

 

 

 

14
Fev19

É São Valentim. Dinamizemos


 

Então? Caros ó meninos? Como foi chegar ao call center , escritório ou repartição e perceber que os chefinhos resolveram dar cabo de duas ou três árvores só para enfeitar o barraco de corações e cupidos para vós? Hum?

Aposto que se vão sentir muito melhor quando sugerirem aos clientes que adiram à factura electrónica por questões ambientais.

Eu, se fosse patrão ficaria muito feliz ao pensar no aumento de produtividade que uma dinamização do 'Dia dos Namorados' me havia de trazer.

Que colaborador não fica feliz ao ser lembrado de 5 em 5 minutos que dada a escassez de vida social, provocada pelos horários rotativos e ausencia de folgas ao fim-de-semana, o único encontro que tem agendado para hoje é com um resto de vinho e os chocolates que sobraram do Natal? Hum?

 

 

Obrigada, pelo seu contacto.

 

04
Fev19

Quando ficamos atarantados porque os outros se perdem no que dizer e fazemos pior


 

- Bom dia, estou a ligar para dar seguimento ao pedido da senhora dona Titular, ela está?

 

- Não, ela não está presente.

 

- Então, qual é o melhor horário para falar com a senhora dona Titular?

 

- Pois, não sei. Morreu.

 

- Eu tento noutra altura.

 

Agora, que deixei um viúvo a reflectir acerca da minha capacidade de contactar com o além, vou só ali usar metade dos meus 24 minutos (3x8) de pausa para beber um daqueles cafés de máquina ranhosos que me vai deixar com o estômago irritado mas ajuda a despertar.

 

 

Bom dia, em que posso ser útil?

 

 

 

 

 

 

24
Jan19

Tempo de um xixi e muito mais


É hoje que os deputados vão discutir o sector dos call centers.

3 minutos é o tempo que cada grupo parlamentar terá para discorrer acerca da nossa profissão. Não vou querer perder, ver como se desenrascam a tratar um assunto que desconhecem num tempo tão limitado.

Nós que estamos habituados aos nossos 3 minutos de intervalo por cada hora de trabalho (24 minutos numa jornada de 8 horas) desenvolvemos estratégias, logo nos primeiros dias, para que os três minutos cheguem para comer, cumprimentar colegas, ligar à família, fumar, reclamar, trocar opiniões, tomar posições, escrever um post e fazer aquele xixi básico. Mesmo assim, às vezes falhamos e se ultrapassarmos os 3 minutos que, à cautela, reservamos para qualquer eventualidade não nos livramos de um ralhete, que vai expor-nos ao olhar dos colegas que com a gritaria descontrolada vão perceber que sim, nós também fazemos xixi, nós também temos o período e também sofremos desarranjos intestinais. 

Não sei como se vão desenrascar os deputados mas nós sabemos que com vontade 3 minutos chegam para muita coisa.

 

Entretanto já que estou a gastar os 3 minutos todos que tinha para hoje e sim, estive a blogar durante o xixi, (Quem nunca?) aproveito para agradecer a todos os que têm passado por cá. 

Não estava à espera de um regresso tão apoteótico.

Por mais que tente não consigo ver quem são as pessoas que estão a partilhar e a fazer gosto através do Facebook mas imagino que ande por aí muita malta de telemóvel escondido por baixo do teclado, no meio dos cadernos ou até na manga a partilhar e corroborar a opinião da ó menina.

 

 

Aproveito, ainda, para crescentar que estou um bocadinho triste com o DN que deu algum destaque ao assunto através de uma crónica cheia de nomes fictícios mas nenhum é 'ó menina'. O autor que também não consegui identificar e só volto a ter 3 minutos para procurar amanha escolheu 'Teresa', nome de velha e 'Carolina', nome de beta, para os seus personagens. Espero que da próxima considere 'ó menina' até porque não havia necessidade de usar nomes fictícios num artigo onde se percebe a que local se refere. Era capaz de apostar o dedo piquenino do pé em como a crónica se refere a um call center de telecomunicações de uma empresa que já teve Portugal no nome mas agora é francesa. Deixo-vos o artigo para o caso de ainda terem 3 minutos disponíveis para aquele xixi básico, assim aproveitam melhor o tempo. aqui

 

Disponham sempre.

 

 

ps Alguém quer nomear a/o supervisor que trata os colaboradores por 'chouriça' como descrito na crónica do DN? Aproveitem que eu permito comentários anónimos.

 

 

 

22
Jan19

E se o Professor Marcelo passasse um dia num Call Center?


Ouvi dizer que o nosso Presidente Marcelo,  que Deus conserve, anda por aí a experimentar outras profissões como se faz nos reality shows. Leva uma catrefada de câmeras atrás e passa, por exemplo, o dia na estrada como um camionista. 

Ora, eu pus-me aqui a pensar e acho que o Presidente Marcelo (Será que lhe posso chamar professor como a Cristina? Bem, eu também sou bloguer e cheguei a frequentar direito, e tudo...), o Professor Marcelo fazia bem era se experimentasse passar um dia num Call Center.

Isso sim era serviço! Enfiar um headset na cabeça, quase sem formação, começar a tratar clientes tendo que atingir objetivos irreais e ter que engolir a tosta mista à pressa porque o cronometro não pára.

 

Para além de ter a oportunidade de chamar a atenção para um sector completamente desregulado, podia ser que lhe calhasse na rifa aquela senhora 'especial' que ligava todos os dias para um serviço onde eu trabalhava e nos convidava a beber um chá enquanto nos falava das suas peripécias com o Professor de quem tinha sido amiga de juventude.

 

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Ora essa! Eu sei que é uma grande ideia. Não precisam de agradecer!

 

 

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