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Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Contact Centers tiveram facturação de 593 milhões, em 2018

ó menina, 07.12.19

 

- ó Menina, só? - Perguntam vocês que são inteligentes.

- Claro que não! - respondo eu que sou, também, muito inteligente - Nem todas as empresas com Contact Center estão registadas como tal.

Segundo uma análise feita pela Associação Portuguesa de Contact Centers (APCC), com base na Central de Balanços do Banco de Portugal, no ano passado, extinguiram-se oito empresas do setor, tendo sido criadas 16 novas empresas. Existiam, ainda, 12 grandes empresas, 12 médias, 18 pequenas e 54 microempresas no setor do contact center.

Estas 96 empresas de contact center, tiveram uma faturação total de 593 milhões de euros no ano passado. Os valores representam mais 10,6% face a 2017.

Piquena grande curiosidade reveladora dos números escondidos:

A análise engloba apenas os balanços das empresas que têm a atividade de contact center no seu CAE (Código de Atividade Económica), não incluindo os de gestão própria ou os prestadores deste serviço que não o identificam no seu CAE.

Ou seja, ficam excluídas deste estudo praticamente todas as empresas que fazem parte da Associação Portuguesa de Contact Centers (APCC),

via:
Call Center Magazine

 

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E se uma greve vos obrigar a alterar os planos para o Natal?

ó menina, 05.12.19

E se uma greve vos obrigar a alterar os planos para o Natal?

Ficais definitivamente alerta e solidários com as reivindicações do grupo de trabalhadores em luta, que podem vir a ser as vossas ou as dos vossos filhos? Ou, pelo contrário, maldizeis aqueles que estão a passar mais um Natal incerto, afastados dos seus e exaustos de tantas horas extra para que as vossas encomendas cheguem a horas e os vossos serviços estejam todos a funcionar?

Ireis voltar-vos contra aqueles que sem a greve nem a certeza de que estão a exercer a revolta necessária para conduzir a uma maior felicidade teriam ou ireis compreender?

Eu percebo que o Natal é uma época de reunião e partilha mas também é de consumismo e egoísmo. Acredito que devemos passar o Natal com a certeza de que a nossa festa não estraga a festa de outros. E não, não me refiro aos trabalhadores de Call Center de entregas ou serviços em greve. Refiro-me aos que não compram com antecedência, não subscrevem com antecedência, não esperam umas horas para reclamar serviços não urgentes...

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A greve intermitente decidida nos plenários dos trabalhadores de Contact Center prolonga-se até 22 de Dezembro.

Até essa data os trabalhadores das empresas abrangidas pelo pré-aviso podem fazer greve nos horários de maior trafego/fluxo de chamadas: 11h00 - 12h30; 15h00 - 16h30; 19h30 - 21h00.

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Manifestem-se, revoltem-se, sejam solidários, mas com o espírito certo. Planeiem com antecedência!

___________

Na primeira imagem, campanha da Bell Telephone System, que numa época em que as chamadas ainda necessitavam da ajuda de uma Menina, pediam aos utilizadores para telefonar noutro dia.

Se o arrependimento matasse

ó menina, 02.12.19

Não devia ter apagado todos os dados do meu recibo de vencimento, naquele calculado gesto de rebeldia que tive no dia da greve nacional dos call centers.

É certo que o objectivo principal se resumia a mostrar que o meu salário base é o salário mínimo nacional,contrariando as declarações dos responsáveis da APCC - Associação Portuguesa de Contact Centers, da qual só as empresas utilizadoras (que contratam os serviços de contact centers) fazem parte. Sim, eu, depois de ver os padeiros da santa terrinha condenados porque se associaram a fim de manter o preço da farinha no valor que lhes convinha  também não lhe chamaria associação... mas é o que temos e à sua afirmação de que os nossos salários são óptimos respondi com a publicação do recibo de vencimento.

Apaguei os meus dados, não sem que antes ponderasse deixar o NIB visível para recolher fundos generosos para as propinas, ideia que abandonei porque o Banco ficava com tudo em comissões e era contraproducente. Mas, agora, arrependo-me de não ter deixado a morada.

Se tivesse deixado a morada visível podiam enviar-me um bilhetinho para o Nick Cave.

Eu sei que não vos custava nada e vós sois generosos...

 

Weeping Song by Nick Cave & The Bad Seeds

Recibo de vencimento de sonho

ó menina, 29.11.19

Não. Não me refiro ao facto de o recibo de vencimento deste mês incluir o subsídio de Natal. O meu salário base corresponde ao mínimo nacional e todos nós guardamos despesas extra para este mês. As propinas, o IMI, os óculos (sim, estraguei outros num incidente estúpido)...sobra-me saldo negativo.

O meu sonho é que o valor pago pela empresa utilizadora dos serviços de call center à empresa de trabalho temporário, pelo meu trabalho, conste do recibo de vencimento, assim como os lucros da empresa e a sua taxa de crescimento desde que lhes presto serviço. 

Foi o senhor da Iniciativa Liberal que me inspirou. 

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Black Friday vs Giving tuesday

ó menina, 29.11.19

Então? Entusiasmados, com as possibilidades que este dia vos reserva, a metade do dobro do preço habitual? 

 

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Banksy

Dia 3 de Dezembro decorre o 'Giving tuesday' 2019. Ao que parece as pessoas andam tão ocupadas que foi necessário colocar no calendário uma data oficial para doar.

Muitas instituições organizaram recolhas de fundos, bens ou serviços para esta data uma vez que a atenção mediática faz chegar as suas necessidades a mais pessoas. Informem-se de quais são as instituições locais a precisar da vossa ajuda e passem por lá. Façam de conta que ainda se lembram do que significa realmente o Natal!

 

Cinema sem pipoca #com nuvens

ó menina, 28.11.19

 

Alguém me lembrou de que vivemos dentro do céu e não abaixo dele. Não me é uma expressão estranha já que o seu autor é o Gavin Pretor-Pinney fundador da Sociedade de Apreciadores de Nuvens com a qual aprendi a tratar as nuvens pelo nome (não me julguem! Antes isto que acreditar que a terra é plana). Não me é estranha, mas há momentos em que acreditar nela se assemelha a um acto de fé. Crer sem ver.
Este fim-de-semana fui ver o 'Sorry, we missed you' do Ken Loach. A tradução do título para português resultou num 'Passámos por cá' que retira força ao título inglês, eu traduziria o título para um simples 'Falhámos-te', não temos que ser literais.
Falhámos-te é o que nos apetece dizer aos personagens assim que o filme termina. Segurar-lhes as mãos, olhá-los nos olhos, dizer-lhes falhámos-te como quem assume uma culpa e ficar ali uns segundos suspensos no reflexo da nossa imagem na retina deles. Identificamo-nos com eles em tantos momentos mas simultaneamente sentimo-nos parte do sistema pantanoso em que Ricky e a sua família se afundaram e de onde tentam sair desde a crise económica de 2008.
O retrato é cru, pessoal. A estrutura narrativa não é convencional, a riqueza do argumento do Paul Laverty faz-nos oscilar entre duros momentos de emoção e revolta e algumas pausas de surpresa e felicidade que nos puxam de novo para o difícil acto de fé que é acreditar que o céu é na terra.

Vejam 'Sorry we missed you' vejam o 'I Daniel Blake'.

 

 

Horário Flexível, sabem do que se trata?

ó menina, 26.11.19

Hoje circula pelos jornais um estudo que indica que as crianças portuguesas passam mais 10 horas por semana na creche do que a média europeia. Algumas chegam a estar 12 horas diárias na creche.

Apercebi-me, recentemente, que a maioria das pessoas desconhece que os trabalhadores, pais de menores de 12 anos ou maiores dependentes, com deficiência ou doença crónica, ou noutra situação que o justifique, têm direito ao regime de horário flexível.

De acordo com o disposto na alínea b) do nº 1 do artigo 59º da Constituição da República Portuguesa estabelece-se como garantia de realização profissional das mães e pais trabalhadores que “todos os trabalhadores, (…) têm direito (…) à organização do trabalho em condições socialmente dignificantes, de forma a facultar a realização pessoal e a permitir a conciliação da actividade profissional com a vida familiar.”

Assim o horário flexível tem como princípio subjacente o da conciliação da vida profissional com a vida familiar.
No entanto também tem algumas regras, a meu ver demasiado gerais que ajudam as empresas a negar ou dificultar o acesso do trabalhador ao horário flexível. Apoiados na indicação de que o horário flexível não pode afectar o regular e eficaz funcionamento dos serviços, especialmente na relação com o público os patrões têm tendência a negar este direito não só aos pais mas também às crianças. No entanto, nada justifica que tal seja negado em empresas com turnos ou rotatividade de horários como os call centers. O trabalhador que reúna as condições indicadas tem o direito de escolher a sua hora de entrada e saída.

Se conhecerem algum trabalhador em call centers, em lojas, na hotelaria, nos hospitais... onde estiverem que não esteja a usufruir do horário flexível informem-no de que não tem que passar meses à espera de uma resposta generosa do chefinho ao email onde pedia para deixar os turnos da noite ou o trabalho ao fim-de-semana.
Em caso de ser negado este direito devem recorrer à ACT e solicitar que enviem uma carta à entidade empregadora, cobrava 5 euros por este tipo de serviço na última vez que a consultei mas mesmo que cobrem mais vale a pena para passar mais tempo com a família.

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Disponham sempre!