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Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Isto do Incêndio na Amazónia É Mesmo Lixado

ó menina, 23.08.19

 

Andaram bloggers e influencers do a comprar bugigangas e outfits novos para as fotos das férias, postar os do ano passado estava fora de questão, passaram semanas, coitadinhos, a sugerir tralha e apelar ao consumo, gastaram o subsídio de férias a comprar uma viagem para um resort do outro lado do planeta para estarem descansaditos à beira mar a fotografar o corpinho seco de tanta soja e produto milagroso que lhes chegou do Brasil, sem pensarem em desgraças como por exemplo aquilo de 1,4 biliões de viajantes internacionais serem responsáveis por 8% das emissões de gazes do planeta e quando regressam há um incêndio na Amazónia que os obriga a substituir o resumo das férias por um lamento sobre o escassez e destruição de recursos naturais da Terra e a substituir a foto do bronze por um filtro a dizer: I ❤ Amazónia.

Não há direito! Ninguém merece!

 

Um abraço solidário da Ó Menina a todos os idiotas que ainda pensam que mudar o que partilham nas redes sociais por um dia sem alterar os seus hábitos de consumo é uma atitude cívica do caraças.

Deve ser a isto que chamam silly season

ó menina, 21.08.19

 

O Sr António Costa, primeiro-ministro de Portugal para os mais distraídos, congratulou-se (sim, ele ultimamente congratula-se imenso) com a promulgação das alterações à lei do trabalho e referiu-se a elas como uma medida de combate à precariedade.

As alterações ao Código do Trabalho, aprovadas no parlamento, em Julho, com os votos favoráveis do PS e a abstenção do PSD e do CDS,  estabelecem o alargamento do período experimental de 90 para 180 dias para jovens à procura do primeiro emprego e desempregados de longa duração.

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imagem recolhida na página Tás Logado?

Don't be silly!

Musiquinha de espera

ó menina, 17.08.19

É verdade que já não vou para nova mas ainda sou uma Menina quando comparada com Woodstock.

Naquele tempo ainda não haviam Call Centers, nem barraquinhas a promover empresas de trabalho temporário em festivais. Muita coisa mudou desde então mas felizmente não conseguiram matar o Blues.

Não sei se teria ido ao festival, muito menos se seria uma daquelas moças de mamocas ao léu, mas sei que os Canned Heat deram um concerto que queria muito ter tido oportunidade de assistir.

 

Obrigada por estar a aguardar. A sua chamada será atendida quando eu quiser.

 

 

 

Amiguinha do Patrão

ó menina, 16.08.19

 

Maria Chambel é o nome da sô dôtora que esclareceu ao Expresso no 'artigo' referido no post anterior que 'trabalhar em Call Centers já não é esgotante'
Confesso que tive algum pudor em referir o nome da pessoa até que me apercebi de que Maria José Chambel é uma 'entendida' da matéria de longa data.
Em 2010 lançou em parceria com outra autora a obra 'Trabalhar em Call Center do mito à realidade que tinha um prefácio do Pedro Champalimaud à época, nada mais nada menos do que Presidente da Associação Portuguesa de Call Centers. Pedro Champalimaud foi o primeiro presidente que a Associação teve, era na altura responsável pela Contact empresa de call centers que tinha como principal cliente o estado: IPJ, RTP, Turismo de Portugal... e que deixou uma má lembrança em termos de precariedade laboral nas Caldas da Rainha, mais tarde a empresa transformou-se na Espírito Santo Contact e foi um dos activos vendidos pelo Novo Banco depois da intervenção estatal. Armatis foi a empresa que aproveitou o negócio e é também a empresa que está a atrair clientes para Portugal que normalmente contratavam em África.
As elevadas qualificações dos portugueses, principalmente as linguísticas já que opera essencialmente em Francês e a mão-de-obra barata fazem de Portugal um excelente sítio para explorar. Felizmente, Portugal é também o país onde uma sô dôtora, que só por acaso é amiguinha do patrão, descobriu com o patrocínio da Faculdade de Psicologia de Lisboa que ser operador de call center deixou de ser esgotante.


Disponham sempre!

Ai sim? Trabalhar em Call Centers deixou de ser esgotante?

ó menina, 13.08.19

Investigadores da Universidade de Psicologia de Lisboa analisaram o sector dos call centers e chegaram à conclusão de que:

'Trabalhar em Call Centers já não é esgotante'

'Estar oito horas por dia ao telefone com clientes já não é uma atividade stressante e temporária só para ganhar dinheiro. A falta de alternativa no mercado laboral leva cada vez mais portugueses a elegerem o atendimento telefónico como profissão e de longo prazo. Sem outra opção, estimam o trabalho que têm, remunerado com incentivos, e os níveis de bem-estar são agora mais elevados.'

Como é que a falta de alternativa leva alguém a eleger (no sentido de escolha) o que quer que seja?

Mas quem sou eu para questionar um estudo realizado com douta sabedoria por quem reage com entusiasmo e avança como contributo positivo o facto de 'As pessoas em Lisboa e no Sul esperarem ter outro emprego e os seus níveis de stresse serem mais elevados do que quem está no Norte ou no interior do país, onde há menos oportunidades'

Vivemos num país onde a centralização é uma realidade que contribui até para a frustração ou perda de expectativas pessoais na maioria dos portugueses, mas tudo bem porque isso é bom para o sector dos call centers que assim podem aproveitar as baixas expectativas dos não alfacinhas para eclodir como uma praga de cogumelos pelos cantinhos mais recônditos de Portugal Continental e ilhas.

A notícia é avançada pelo expresso que como não tive outra alternativa de profissão e apesar de ter adoptado a que tenho, por falta de opção à demasiado tempo, não tenho dinheiro para assinar. O que, estranhamente, eleva os meus níveis de bem-estar. O expresso já não é o que era no início do Século, se andasse a gastar dinheiro com ele sentir-me-ia muito mais frustrada. O que me leva a pensar que dependendo da amostra e das questões o resultado pode ser indutor de uma maior satisfação desde que salvaguardando uma margem enorme de erro.

Nas empresas de trabalho temporário onde a maioria dos trabalhares está, por falta de opção, numa situação precária à tanto tempo que o seu emprego devia ter as regalias de quem está com um vínculo de longa duração, ou seja, nas empresas que não permitem aos trabalhadores do sector ter uma carreira são realizados vários inquéritos do género, periódicos, de suposto valor científico e com resultados defendidos por investigadores por elas contratados que, apesar do suposto anonimato do processo, levam a reuniões de equipa e represálias a comunicadores que não voltam a cair no erro e à segunda respondem como se espera de funcionários que não têm outra opção no mercado laboral.

Para salientarem com entusiasmo a falsidade de que a média do salário bruto é 850 euros mais prémio, (mesmo que fosse por trabalho qualificado não é bom é uma roubalheira,) o inquérito realizado a 4 mil trabalhadores num sector que emprega cerca de 90 mil tem certamente predominância de inquiridos de certa área geográfica, sector e empresa que seriam importantes referir quando, apesar de uma amostra tão pequena se defende tão entusiasticamente que um sector 'deixou de ser esgotante'  mesmo que 'Muito stressados e nada entusiasmados encontremos 18%(dos inquiridos)'

Muito triste este tipo de engodo em defesa de um sector que beneficiou da displicência das várias bancadas parlamentares ao longo desta legislatura mas cujos trabalhadores tiveram o mérito de fazer visível e assunto relevante em pré-campanha, (ver recentes declarações de Jerónimo de Sousa na Madeira). É tão triste que parece encomendado por medo do que a próxima legislatura possa trazer em matéria laboral ao sector.

 

ps Se calhar não sou só eu que preciso debruçar-me sobre o trabalho do Christophe Dejours e do Laboratório de Psicologia do Trabalho e da Acção que lidera este verão. Há por aí muito investigador que devia fazer o mesmo antes de publicar este tipo de estudo e o deixar veiculado a uma conclusão tão parca de título de jornal.
'Trabalhar em Call Centers já não é esgotante' pffff ... não tenho paciência para isto. Aliás, ando com tão pouca paciência que estava a pensar falar com um psicólogo mas se é para isto que servem ...

 

 

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Enquanto não chega o aeroporto, Coimbra recebe o call center de uma companhia aérea nacional

ó menina, 11.08.19

Há muito que os autarcas locais defendem a instalação de um aeroporto em Coimbra. 

Ainda não há aeroporto, mas ao que parece a região já conseguiu captar o interesse de uma companhia aérea portuguesa que vai instalar, no centro da cidade dos estudantes, um call center.

(Mão-de-obra qualificada barata sempre foi um bom argumento...)

A oferta de emprego lançada por um grupo de outsourcing está em vários sites de emprego. Podem encontrá-la aqui no Sapo Emprego.

 

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ps Não venham com a conversa de que tudo somado, salário+subsídio de refeição+ prémio até 300 euros, dá  um bom ordenado. Antes de abrirem a boca lembrem-se de que, solicitam aos candidatos que sejam fluentes numa língua estrangeira, os horários são rotativos (turnos) e o prémio é até 300 euros sem que se conheçam à partida quais são os objetivos a atingir para auferir esse valor. Agradecida!

O PSD está a pensar criar um call center para mobilizar militantes

ó menina, 09.08.19

 

Não! Não  estou a brincar embora isto seja tão  bom de tão mau que gostava de ter sido eu a inventar.

A notícia surgiu no Observador. O objectivo do call center é mobilizar os militantes sem ter que recorrer às estruturas locais do partido que acreditava, eu leiga nestas coisas, serem constituídas por militantes.

Para a árdua tarefa, de fazer o que o líder e estruturas do partido deviam mas não conseguem, o PSD necessita de 20 colaboradores que, se a ideia avançar, vão  trabalhar no Porto por turnos. Cada colaborador levará para casa 25 euros por dia mais almoço, ou seja, menos do que um ordenado mínimo nacional a não ser que estejam a ponderar pagar aos Meninos do PSD uma comissão por cada militante mobilizado.

Depois das eleições os boys do partido estarão na Assembleia da República a ganhar fortunas em subsídios de deslocação e representação e a legislar matéria laboral nomeadamente aquela que regulará a profissão dos Meninos que garantiram a sua eleição. Quão bizarro vos parece isto?

 

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Questões que me apoquentam

ó menina, 08.08.19

 

Que é feito do bidão?

De repente toda a gente aderiu ao 'jerrican', ainda por cima em inglês sem se darem ao trabalho de consultar o dicionário para procurar a sua forma em português: jerricã. Ninguém usa a palavra bidão até podiam usar em francês bidon para parecer mais chique só que não...

 

ps Só eu é que tenho pesadelos com a Guerra do Golfo do Bush pai quando vejo imagens das enormes filas nos postos de combustível?

 

 

'Le bonheur' para totós

ó menina, 08.08.19

Para totós

Estou numa fase em que o Raymond Aron faz todo o sentido para mim. Claro que a Simone é a a Simone mais le bonheur ...

Sim, isto está em francês e não, não é por estarmos em Agosto e os supermercados terem sido tomados por 'avecs'. Estou a aproveitar para homenagear os milhares de Ó Meninos que trabalham para campanhas cuja língua predominante na operação é francês apesar de estarem em Portugal. Bem hajam, aposto que bonheur é coisa que não vos falta quando pensais que as ex- colónias europeias de língua oficial  francesa se tornaram demasiado caras e vós sois a mão-de-obra barata que os substituiu. Aposto que depois deste pensamento também estais todos com o Aron, certo?