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Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

do Desemprego dos Dias ou dos Dias de Desemprego

ó menina, 08.04.20

 

De 16 de Março a 6 de Abril, ou seja, em 22 dias, foram pedidos 41 mil subsídios, quando em igual período do ano passado, tinham sido cerca de 16 mil.
Há desde o início de Abril mais 4098 novos inscritos por dia nos centros de emprego.
Em Março registaram-se 59 despedimento colectivos, Abril já conta 35.

 

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Quando os Call Centers portugueses aparecem na Reuters pelas piores razões

ó menina, 03.04.20

O Call Center da Teleperformance da Infante Santo, Lisboa, foi notícia na Reuters depois da intervenção da DGS que ordenou o encerramento, a colocação dos colaboradores em teletrabalho e a desinfecção do edifício uma vez que a empresa continuava a insistir no trabalho presencial apesar dos 5 casos de Covid-19 confirmados. (Dizem-me que entretanto chegaram a 15 infectados)

Temos, todos, sentido orgulho com os ecos que a forma como os portugueses têm lidado com esta situação tem feito lá fora tenhamos, então, todos um bocadinho de vergonha também.

Está a decorrer greve dos Call Centers de serviços não essenciais, útil para os que ainda não se sentem seguros e optarem por faltar ao trabalho justificarem as faltas que sintam necessárias. A última foi a 10 de Março, quando ainda não sabíamos bem o que aí vinha. Foi no Call Center da NOS/Randstad, em Coimbra, teve adesão acima dos 90% e uma das reivindicações dos trabalhadores era a melhoria das condições de higiene e segurança. Um país onde trabalhadores têm que fazer uma greve com este tipo de reivindicações é um país onde há algo por cumprir.

Não me canso de recordar que:

A 24 de Janeiro de 2019 foi discutida, na Assembleia da República, uma petição que solicitava a regulamentação da profissão de trabalhador de Call Center. Todos os partidos com assento na Assembleia da República, à data, se mostraram preocupados com a 'penosidade' a que estão sujeitos os trabalhadores dos centros de atendimento, mas nenhum apresentou iniciativas legislativas. Estamos em Abril de 2020 e nada alterou.

 

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da Contabilidade dos Dias

ó menina, 02.04.20

Já ninguém sabe a quantas anda na contabilidade dos dias. Uns contam o isolamento social desde o primeiro dia em que se fecharam em casa, num conforto de onde tiveram o privilégio de não voltar a sair. Outros contam desde que se anunciou o Estado de Emergência e outros desde que entrou em vigor. Há ainda os que por falta de compromissos perderam a conta aos dias da semana e aqueles que não sabem que estamos na Primavera.
Mas isso pouco importa. As notícias vão-nos dando outros números, penosos quando analisados a cru, mais positivos quando em comparação. Das ruas a música dos que estão em casa irrompe pelos silêncios e das empresas e call centers à gritos à espera de serem ouvidos, à espera que alguém os salve dos que se servem da pandemia.
Foram criadas duas plataformas online que permitem a cada um de nós ter 'voz' na denúncia e partilha de situações em que existe aproveitamento por parte dos patrões, em que os trabalhadores vêem sonegados ou recusados os seus direitos e que também se focam na 'habitação' num momento em que muitos daqueles a quem se pede que fiquem em casa sentem que a sua está em risco.

Uma delas é a 'Plataforma Resposta Solidária' um espaço de denúncia onde são partilhadas várias denúncias e relatos, nomeadamente das situações de infecção por covid-19 nos Call Centers da Armatis e da Teleperformance e de como essas situações têm sido mal geridas colocando em risco os restantes trabalhadores.

A outra é: despedimentos.pt que tem o objectivo de 'mapear a irresponsabilidade social de quem despede e abusa dos trabalhadores em plena pandemia'. Lá se encontra por exemplo a denúncia de que os comunicadores do Call Center da Altice, em Coimbra, que fazem trabalho para a Tap intermediados pela Egor, a quem a empresa não garantiu condições para teletrabalho, foram despedidos.

Aproveitem o tempo livre para conhecer, partilhar e dar voz aos que estão silenciados pela restante contabilidade dos dias.

 

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Reflexões do Teletrabalho

ó menina, 01.04.20

Qual será a pena por abater um vizinho artista, que resolve exibir os seus dotes à varanda sem que lhos tenha solicitado? Hum?

Tá giro, sim senhor. Mas há quem tenha vindo para casa trabalhar. Orientem-se. Escolham bem os dias e os horários. Não usem o momento para fazer do vizinho, a quem até aqui nunca dirigiram um 'Bom dia', mais um inimigo.

Obrigada!