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Call para as paredes!

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Call para as paredes!

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

23
Fev15

Há quem prefira 'bondage'


Trabalhar ao fim-de-semana, numa linha de apoio ao cliente, significa que temos que atender muitos casais recentemente formados com parceiros desejosos de mostrar ao outro como são valentes e sabem travar uma batalha. Homens de voz fininha que recorrem a um telefone para falar grosso e mulheres de voz ainda mais fina que recorrem a um telefone para tentar falar ainda mais fino, como se fosse possível.

Esperneiam, gritam, insultam e distorcem o que lhes dizemos para parecer que lhes estamos a dar razão quando nos limitamos a dizer 'lamento, mas, não verificamos nada incorrecto com a sua factura' 'lamento, não nos é possível aceder ao seu pedido' 'lamento'...

Quando colocamos o mute, para bocejar, beber água, gerir os nossos tempos e objectivos (nós já sabemos a resposta e eles também!) dizem ao outro... 'Isto tem que ser assim! com estes gajos, isto tem que ser assim' 'vais ver! vão ter que fazer o que eu quero!' e nós sentimos a tensão entre eles os sorrisos o orgulho.

Saem da linha com um redondo não, nós sabemos como arredondar um não quando a brincadeira já passou das marcas ou quando começa a interferir com o nosso dia de trabalho ou dignidade. Mas, apesar do não aquele momento em que mostraram ao outro como são bons a humilhar alguém faz-lhes bem ao ego e adensa a relação.

Eu seria incapaz de gostar de alguém que destrata outro de forma gratuita enquanto esse outro executa o seu trabalho. Nunca o faria para conquistar alguém mas, eu também não sou adepta de bondage.

 

 Obrigada, pelo seu contacto!

11
Fev15

Not a Call Girl


Uma linha de apoio ao cliente não é uma linha erótica.

Quando ligam para uma linha de apoio ao cliente, são atendidos por pessoas com formação académica que estão a trabalhar. E, trabalham com as mesmas ferramentas que os senhores do banco quando demoram meia hora a registar um cartão no 'sistema' mas, que vocês respeitam porque se impõem com uma gravata.

Apesar de, normalmente, os senhores do banco terem menos formação e não se terem dado ao trabalho de melhorar as suas competências, principalmente as informáticas porque são uns 'sortudos' de profissão reconhecida, vocês respeitam-nos!

Então, porque é que ao serem atendidos numa linha de apoio por uma voz feminina agem como uns canalhas?

Por acaso, quando entram no banco perguntam ao bancário: mostravas-me as mamas?

Descrevem o vosso estado de excitação intercalando-o com questões acerca da empresa, por saberem que ao fazê-lo apesar de estarem a ser uns porcos se o funcionário os recusar a atender será penalizado? 

Gemem ou chamam-lhe: 'Puta'?

 

 

 

 Obrigada, pelo seu contacto

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