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Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

27
Jun19

Vale sempre a pena


Sim vale a pena lutar. Quando a resiliência toma o lugar da resignação o carácter revela-se e os resultados aparecem.

Cristina Tavares é, um dos maiores exemplos de resiliência e dignidade da luta laboral portuguesa deste século.

Mulher despedida de corticeira na Feira conta que esteve dois dias em pé sem fazer nada

Uma vitória para a trabalhadora, que diz estar “com força” para regressar ao trabalho e confiante que a reintegração, no local onde esteve durante meses a fazer e desfazer o mesmo saco de rolhas de cortiça, vai correr bem. “Penso que estão de boa-fé e que me vão tratar como um trabalhador normal, com dignidade. É isso que espero, porque vou continuar a trabalhar como trabalhei sempre”

in Público.

FB_IMG_1561595499813.jpg

imagem @r_a_borges via Esquerda.net 

Obrigada, Cristina!

26
Jun19

E nós cá os esperamos de braços abertos


O governo vai oferecer 6500 euros aos emigrantes portugueses que se lançaram, por esse mundo fora, em busca de novas oportunidades em tempo de crise e o que não falta em Portugal, agora, são empresas para os receber nos seus call centers prontas a explorar as suas novas capacidades linguísticas reconhecendo-lhes inestimável valor. 

Vão chegar charters de emigrantes ansiosos por agarrar esta oportunidade.

 

Bem-vindos, futuros Ó Meninos! Bem-vindos! 

25
Jun19

Tempo de Mudar


Mais uma vez os 'Ó Meninos' dos call centers do projecto EDP da Randstad mostraram como se deve comportar um grupo de trabalhadores unidos que compreendem que um dos princípios da luta laboral é a solidariedade. Ontem, dia 24-06-2019, levaram a cabo uma greve que contou com 90% de adesão.

 

Em 2010, a Randstad apresentava-se como uma alternativa de confiança. Uma marca que chegava depois da Select e da Vedior para mudar o panorama laboral. Cheia de actores sorridentes como os dos bancos de imagens onde vai buscar o sorriso que os colaboradores supostamente exibem quando pensam que trabalham para a Randstad Portugal. Em vez desses sorrisos deviam filmar ou fotografar a cara dos trabalhadores quando respondem a inquéritos internos sobre a sua satisfação laboral. Melhor ainda seria filmá-los enquanto respondem a inquéritos alegadamente anónimos sobre a sua confiança na empresa esse gigante de lucros anuais a rondar os 500 milhões de euros mas que pratica salários base que não garantem ao trabalhador uma subsistência mínima, digna e sem o jugo de quem está permanentemente no limiar da pobreza (sim, o salário minimo nacional é uma merda!).

 

Não se esqueçam do sorriso na voz, Ó Meninos! Não quero que sejam despedidos...

21
Jun19

Ground Control to Major Tom


Ground Control to Major Tom
Your circuit's dead, there's something wrong
Can you hear me, Major Tom?
Can you hear me, Major Tom?
Can you hear me, Major Tom?
Can you...

 

Algumas pessoas ficariam muito espantadas se compreendessem o quanto a relação das empresas com o cliente é influenciada por brand storyteling  e mais ainda com a influencia que o mesmo tem na relação das empresas, marcas, corporações... com os trabalhadores, mantendo-os como audiência cativada, controlada e sincronizada.

 

Take your protein pills!

 

 

 

14
Jun19

Estamos no interior


Sim, nós também estamos no interior e cidades mais pequenas, fora da capital.

A greve de ontem no call center da EDP, em Seia, teve 95% de adesão, num universo de cerca de 600 trabalhadores ao serviço da Manpower. Números que contam!

Obrigada, Ó Meninos da serra!

Sempre que noticias como esta são divulgadas assisto ao espanto de muitos que acreditavam, até aí, que os Call Centers eram um fenómeno exclusivo de Lisboa e Porto. Não podiam estar mais enganados.

Os Call Centers têm-se disseminado por todo o país com o patrocínio de todos nós.

Vejamos o exemplo da Altice que tem neste momento Call Centers em: Vieira do Minho, Castelo Branco, Lamego, Amarante, Guarda, Viana do Castelo, Fafe, Oliveira do Hospital, Penafiel, Viseu, Macedo de Cavaleiros e Covilhã. (informação em actualização) Para além de grandes cidades como Lisboa ou Coimbra.

Na Covilhã, a Altice abriu em parceria com a Randstad, empresa de trabalho temporário, um Call Center em Fevereiro de 2018. A Randstad contou, para a instalação do call center, com a Câmara Municipal da Covilhã que investiu 100 mil euros na criação de condições logísticas e técnicas e em contrapartida exigiu à Randstad o investimento de 3600 euros em formação por cada trabalhador (e nós sabemos para onde vai o dinheiro subsidiado às empresas para formação dos trabalhadores, certo?) e 75 mil euros de remuneração para um grupo de 100 pessoas. 

Ou seja, a Câmara Municipal da Covilhã investiu 100 mil euros para garantir que na região era instalado um Call Center, que usa a exigência de horas de formação para iniciar a sua relação com o trabalhador com um contrato de  formação de até 3 meses que são aproveitados para que o trabalhador trabalhe, de facto, sem direito a prémio ou descontos para a segurança social, (prática  de qualquer Call Center Randstad ou Manpower, eu que o diga!) e investiu 100 mil euros para garantir uma remuneração bruta a 100 pessoas de 750 euros considerando os subsídios de férias e Natal calculados em duodécimos. Tudo isto, depois de em 2013 ter financiado a instalação do Data Center da Altice, com um protocolo que convencionava a criação de 1000 postos de trabalho mas a Altice ficou-se  por 200.

Sim, estamos por todo o lado e é dinheiro público o que está a patrocinar um sector onde se aproveita a omissão legal e o desprezo de hemiciclo atrás de hemiciclo para estender os tentáculos da precariedade e baixos salários por todo o território nacional.

Pergunto-me, quando é que os call centers mais pequenos, menos visíveis e menos interessantes para a luta sindical vão beneficiar de uma concertação de forças que leve a uma iniciativa de greve nacional do sector, devidamente divulgada e difundida para afastar receios naturais em trabalhadores precários? 

 

Força nisso, Ó meninos!

 

 

12
Jun19

Like a Boss


Há qualquer coisa profundamente bafienta que ressoa no discurso de um 'chefe' ou qualquer superior desavisado, quando nos ataca com o discurso de lamento mas ao mesmo tempo laudatório para consigo mesmo do: Acham que eu tenho menos trabalho ou ganho mais do que vocês?
A lembrar o velho discurso salazarento: Portugueses, se soubesses o que custa mandar não invejarias a minha condição...

O facto é que não os invejo mas sei o que é uma hierarquia. Percebo que as pessoas se lamentem ao nível superior não compreendo, no entanto, que o façam no sentido inverso. Principalmente em sectores precários. Do que estão à espera? De uma resposta? 

Não é um fenómeno exclusivo dos call centers e certamente, não sou a única que fica à espera que um Ó Menino ou outro desabrido qualquer responda like a boss:

Caro chefe, por quem sois? Não invejo a vossa sorte mas se estais mal no vosso lugar colocai-o à disposição, é a única atitude digna que se espera de alguém com carácter minimamente bem formado. E se invejais, de facto, o meu lugar posso dar-vos o email da empresa de trabalho temporário que recruta semanalmente para lugares como o meu, acho que tens hipótese de ser seleccionado. Porque esperas? Esperas que a cadeira parta?

 

20190611_115108 (1).jpg

Pequena amostra do que se encontra numa procura de emprego online. Sugiro a experiência.

 

Disponham sempre, bosses!

 

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