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Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Ó Menina na Greve #7

ó menina, 31.10.19

'Os trabalhadores dos call-centers iniciaram uma greve de 24 horas para exigir melhores condições de trabalho. Os sindicatos disseram que uma empresa de trabalho temporário em Lisboa falhou o pagamento dos salários, mas ofereceu aos trabalhadores um pacote de doces para assinalar o dia das bruxas.
(...)

Em dia das bruxas, a empresa (...) ofereceu uma doçura em forma de travessura. E a situação gerou revolta nos trabalhadores que ainda não sabem quando vao receber o salário. A RTP contactou a Randstad mas não obteve resposta.'

in RTP

 

Ó Menina na Greve #6

ó menina, 31.10.19

Nada como em dia de greve nacional para o sector dos Call Centers receber um alegre recibo de vencimento e respectivo salário mínimo nacional pelo trabalho prestado num call center da Randstad II cuja empresa utilizadora é a NOS. Reparem nas bandeirinhas!

Sim, o meu trabalho é qualificado. Certamente ninguém considera que aqueles que estão na linha da frente da relação empresa/cliente a tratar reclamações, fazer gestão dos contratos, apoio técnico, analise de facturação, processamento de créditos e débitos, acordos de pagamento ... são trabalhadores pouco qualificados.

Sim, o meu salário base é de 600 euros.

Sim, vou trabalhar muitas vezes doente porque se não o fizer o que me sobra da remuneração base mensal, após uns dias de baixa, não me chega para pagar as contas.

Sim podem partilhar. Devem partilhar!

E que venham as retaliações, já que perdido  por 100 perdido por 1000, ou melhor, perdido por 600 perdido por 1000.

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Ó Menina, não tens jeito nenhum para edição. Vê-se perfeitamente que foste tu a colocar as bandeiras. Até borraste um bocadinho.

- Não sejam esquisitos, pá ( vou usar pá muitas vezes, hoje, sinto-me mais esquerdalha que o habitual.).

Achavam que vos ia dar o meu nome, assim?

Ponderei deixar a Conta Bancária para me fazerem uma contribuição solidária, para as propinas, mas depois o banco ficava com tudo em comissões e achei melhor não.

 

 

Ó Menina na Greve #4

ó menina, 31.10.19

Quando antecedendo uma greve do sector se silicita a uma idiota que fale em nome da Associação de Call Centers composta por empresas utilizadoras mas não proprietárias de Call Centers só pode sair asneira...

"A atual situação do setor não justifica uma greve", entende Ana Gonçalves. Os salários base brutos médios, diz, estão a subir: passaram de 769 euros em 2017 para 796 euros em 2018. E a remuneração variável (como prémios de qualidade, assiduidade e produtividade) vai de 9% a 26% desse valor.

Sónia Sousa, do Sindicato dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual, nega e assegura que a norma é o salário base ser igual ao mínimo nacional e que as componentes variáveis são atribuídas mediante objetivos "quase sempre inatingíveis". Além disso, afirma não haver progressões na carreira. "Trabalhei 15 anos na Manpower e ganhava tanto quanto alguém que tivesse acabado de entrar", exemplificou.

Quanto às condições de trabalho, o sindicato fala de cadeiras estragadas ou não reguláveis, má limpeza e ventilação ou auriculares danificados. Uma realidade negada por Ana Gonçalves, que fala de instalações modulares e ergonomicamente ajustadas. Em todo o caso, nas "situações pontuais que possam existir", "as pessoas deviam procurar outros sítios onde trabalhar, com condições melhores", afirma.

in jn.pt

 

Ó Menina na Greve #3

ó menina, 31.10.19

'Como todos sabem, as empresas de Outsourcing e de trabalho temporário, que respondem pela prática de serviços “externalizados” pelos grandes grupos económicos constituem uma das maiores formas de prevaricação das relações laborais e do trabalho. Nenhum sector escapa a esta tendência.

Trabalhadores de call center convocam greve para 31 de outubro

Através de relações triangulares e quadrangulares1 de contratação laboral que apenas têm em vista embaratecer o trabalho e libertar os grandes grupos económicos do trabalho com direitos, cada vez são mais os trabalhadores que se encontram sob este tipo de relação de trabalho, caracterizada pela precariedade, pela desregulação e, sobretudo, pela degradação continuada, até ao limite do suportável, das condições de trabalho.

A “externalização” de serviços nos call center é já uma regra e teve nos últimos 20 anos, um crescimento exponencial mas, segundo as empresas utilizadoras apenas dos serviços não considerados como “core business”,mas será que uma empresa de telecomunicações pode existir sem call center, BO ou lojas onde se faz o atendimento dos clientes, se responde às questões dos clientes, novos contratos/vendas, renegociações e alterações de já existentes, processamento de tarefas internas entre outros?

É falso! Os trabalhadores não são dispensáveis mas sim necessários todos os dias para desempenhar funções fulcrais na mais importante missão das empresas, a satisfação dos interesses e das necessidades dos seus clientes!

Embora trabalhem para uma grande empresa não significa que trabalhem nessa empresa, o que se traduz, acima de tudo, que não tenham a mesma segurança nem as mesmas condições de trabalho aí praticados, existindo situações em que trabalhadores internos, laboram lado a lado com externos com realidades salariais tão diferentes. E isto tem de acabar!'

by Sónia Garrido Sousa in Esquerda Net

Ó Menina na Greve #2

ó menina, 31.10.19

Bancada parlamentar do Bloco de Esquerda, na voz do deputado José Soeiro, questiona o Governo sobre a precariedade laboral nos Call Centers estimulada pelo Outsourcing e chama a atenção para a Greve de hoje como sendo um sinal do descontentamento dos trabalhadores que não merecem do governo uma linha no seu programa.

 

 

É ouvir, por favor. Obrigada.

 

Ó Menina na Greve #1

ó menina, 31.10.19

O Sapo é, para além de muitas outras coisas, uma marca. Quando comecei este blog trabalhava, através de um intrincado processo de outsourcing, para a PT que era a Meo à espera de ser Altice e atendia, naquele barracão, clientes utilizadores do sapo, mail, auto, blogs...a quem prestava apoio principalmente na recuperação de passwords e desbloqueio de contas. Nos intervalos usava o wireless que a empresa disponibilizava para criar este blog, actualizar posts e responder aos comentários. Há várias formas de revolta e esta que encontrei, servindo-me dos meios do Inimigo para lutar contra ele, dá-me muito gozo. Já não estou no mesmo barracão nem trabalho para a mesma empresa mas mantenho-me por aqui com o gozo do costume.

Hoje, ao apelo das chefias para participar da dinamização de Halloween, mascarando-me, respondo com a melhor máscara possível. Estarei disfarçada de Mulher invisível, ninguém me verá estarei a participar da greve pelo que apesar de não me verem todos me vão notar.

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Hoje só vai dar greve!

Peço-vos menos de 3 minutos por hora. Leiam, comentem, partilhem...acima de tudo mantenham-se informados, bem informados.

 

Greve nos Call Centers a 31 de Outubro (empresas abrangidas)

ó menina, 27.10.19

Porque não há nada a perder com a Revolta a não ser as correntes que nos prendem à merda em que estamos (ler post anterior), aqui fica o comunicado da SINTTAV acerca da Greve convocada para 31 de Outubro. Mesmo que não sejam sindicalizados se a vossa empresa estiver na grelha apresentada mais abaixo podem participar nesta greve. 

O trabalhador não tem, nem antes nem após a realização de greve, que avisar ou justificar a ausência ao trabalho quando abrangido pelo pré-aviso de greve e qualquer tentativa da entidade patronal de que o trabalhador avise previamente da sua participação em greve ou de que a justifique posteriormente, pode ser considerada coação e desrespeito ao direito à greve. A falta é justificada, a ausência por motivo de greve não afecta a concessão de subsídio de assiduidade a que o trabalhador tenha direito.

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Chegou o momento em que reclamar não chega é preciso agir.

Não percam a oportunidade de mostrar a força que têm quando se unem, Ó Meninos.

Peço que partilhem, por favor.

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Não é moda. É merda

ó menina, 27.10.19

'Não se é “precário”, é-se “flexível”. Não se leva marmita para o emprego por condicionalismos económicos, mas porque é a “nova onda”. Partilha-se casa, com 20, 30, ou 50 anos, não por causa do salário insuficiente ou da especulação imobiliária, mas porque estamos a praticar coliving. Não se sai de casa ao fim-de-semana para poupar, mas porque a nova tendência é o nesting. Seria cómico, se não fosse trágico. É este o nosso mundo. Questiona-se, e bem, práticas de consumo, mas nunca se interroga o todo sistémico. Isto não é estar na moda. É dissimular a pobreza. É estar na merda, é ser Joker e nem sequer o perceber.'

by Vitor Belanciano in Público

Eu sempre usei calças

ó menina, 26.10.19

Ontem, na tomada de posse dos novos deputados, na Assembleia da República, a deputada eleita pelo LIVRE chegou acompanhada pelo seu assessor. O jovem assessor chamou a atenção de todos por estar de saia. 

Eu, que uso calças e saias desde que nasci, não percebo qual é o problema.

Mas não posso deixar de imaginar o que passaram as mulheres que no final do século XIX começaram a usar calças. Ainda bem que há homens a mostrar coragem para abalar os estereótipos onde germina a discriminação, a mesma coragem que as mulheres apesar de chegar com mais de um século de diferença.

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