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Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Algo que não se via desde 2004

ó menina, 23.10.19

Depois de a NOS ter promovido, ontem, a conversa entre colegas na fila para a cantina e durante o almoço, hoje, a Vodafone promoveu a conversa entre colegas e vizinhos nos transportes públicos. Já não se olhavam desde que aderiram àquele grupo de whatsapp .

Os miúdos estranharam mas resignaram-se. Os adultos entupiram os call centers das operadoras porque não conseguiam actualizar o feed do facebook.

 

 

 

 

 

Retrato do meu país

ó menina, 21.10.19

Para assinalar o Dia Europeu da Estatística, a 20 de outubro, a Pordata publica o Retrato de Portugal na Europa – Edição 2019

Um retrato que mostra Portugal como sendo o 3° País da Europa com maior percentagem de trabalhadores com contrato de trabalho temporário.

Alguns farão ouvir a sua voz gritando que muitos contratos, principalmente no sector dos call centers, passaram a termo incerto. Calarão, no entanto, que se mantêm contratos com empresas de trabalho temporário e têm num dos seus primeiros pontos a letras piquenas que a relação contratual entre Trabalhador e Empresa de Trabalho Temporário se destina exclusivamente a assegurar a prestação de serviços contratada pela Empresa 'major' que o trabalhador vai defender à Empresa de Trabalho Temporário em regime de Outsourcing. Ou seja, quando terminar a relação entre Empresa 'major' e a Empresa de Trabalho Temporário o trabalhador fica desempregado. Seria justo pensar que o trabalhador, dadas estas condições contratuais, conheça a data de fim do contrato de Outsourcing que levou à sua contratação mas a realidade não é essa.

Quem quiser conhecer mais características apresentadas neste retrato pode aceder aqui

 

Bom dia!

Musiquinha de espera #para um sábado de chuva

ó menina, 19.10.19

Canned Heat

-Eu sei, eu sei! Já vos tinha recomendado Canned Heat noutras ocasiões mas ando demasiado ocupada para abrir espaço a mais coisas novas. 

E, é sábado, está a chover, nada melhor do que o Blues para acompanhar a chuva. 

Para acompanhar a chuva e a contemplação lasciva do Wim Wenders à urbe que, por sua vez, acompanha bem com um copo de vinho mas eu esqueci-me de  o ocomprar.

Alguém quer partilhar um copo?

Alice in the Cities (1974)

 

Coloquem na Agenda

ó menina, 19.10.19

Trabalhadores de call center convocam greve para 31 de outubro: Embora assinem contrato com empresas de trabalho temporário, é para as operadoras de telecomunicações que realmente trabalham. Trabalhadores de call center reivindicam a integração nessas empresas e melhores condições de trabalho.

Os prémios são uma ilusão”, esclareceu o sindicalista Daniel Negrão, no plenário, uma vez que “os objetivos definidos são praticamente inatingíveis".

Os trabalhadores de call center com contratos com empresas de trabalho temporário são considerados trabalhadores indiferenciados, em situação diferente daquela dos colegas que prestam exactamente os mesmos serviços, mas que têm um vínculo laboral com as operadoras de telecomunicações.

“Por exemplo, na Altice, são considerados trabalhadores especializados e podem ter vencimentos a variar entre os 1 300 e os 2 700 euros", garante o dirigente do Sindicato Nacional dos Correios e Telecomunicações de Portugal (SNCTP).

A greve foi decretada por três sindicatos da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), na sequência de plenários de trabalhadores: SNCTP, Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual (SINTAV) e Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas (SIESI).

Via Esquerda Net

 

ps Sendo apresentada para o sector por sindicatos de representação nacional, desta greve, poderão em princípio participar todos os trabalhadores mas seria bom que todos os sindicatos se juntassem. O STCC, por exemplo, devia estar nesta lista.

A geringonça deixou uma ferida aberta no seio das esquerdas no que a matéria laboral se refere mas era bom ver BE, PCP, MAS e demais partidos unirem-se e apelarem aos sindicatos sob os quais exercem influência que se unam por uma causa que ultrapassa o jogo político. 

Apesar de ser um sector onde a precariedade laboral funciona como um travão à sindicalização, para participar da greve não é preciso ser sindicalizado.

Espero que seja uma greve participada e que torne visível a dimensão do sector até agora ignorado.

Informem-se!

 

Ó Menina sente-se excluída

ó menina, 17.10.19

Marcelo Rebelo de Sousa, o nosso Presidente da República, recebeu, lá no seu palácio, 40 influencers destas coisas das internets. 

O timing não podia ser melhor. Há um governo a formar-se e Marcelo Rebelo de Sousa ainda a reflectir laivos e laivos de inspiração que lhe ficaram da entrevista concedida a esse guru da comunicação, Daniel Oliveira, chamou 40 influencers a Belém.

E elas foram, claro! Agora, que o frio chegou quem é que ia reparar nos seus looks casual chic Outono/Inverno com as notícias sobre os primos do governo se não se fotografassem ao lado de uma figura como o nosso querido presidente?

E, do que falaram? Segundo o Expresso falaram de moda, crianças, humor e novelas, de política pouco ou nada.

Isto faz-me pensar se estarei no caminho certo. Ando aqui, eu, a defender todo um sector, a lutar por um futuro melhor para milhares e milhares de Ó Meninos, sempre atenta aos meandros políticos e à lei laboral e a mim ninguém convida para nada?  

Sinto-me excluída! A partir de hoje só falo de roupa e acessórios. Com o péssimo gosto que me é reconhecido vou fazer imenso sucesso.

Aposto que da próxima o Sr Presidente me convida apesar de ainda não me ter dado a honra de aceitar o convite que lhe fiz para passar um dia num call center. Havemos de ser amigos.

Aguardem-me!

Olha que pena

ó menina, 10.10.19

APCC - Associação Portuguesa dos Contact Centers: alterações às renovações dos contratos de trabalho são “restritivas para o setor dos contact centers”

As novas regras do Código do Trabalho relativas às renovações dos contratos a termo certo, que entraram em vigor esta terça-feira (1 de outubro), “são muito restritivas para o setor dos contact centers”.

Esta é uma das principais conclusões do jantar debate realizado esta semana pela Associação Portuguesa de Contact Centers (APCC), no Hotel Real Palácio, em Lisboa, e que teve como moderador Jaime Dória Cortesão, Sócio Fundador da SMFC Sousa Machado, Ferreira da Costa & Associados.

via Call Center Magazine 

Não há direito. Coitadinhos! Estas alterações são uma verdadeira ameaça aos patrões.

Os pobrezinhos já se imaginam a ter que comer em casa e trabalhar nas empresas como as pessoas normais.

Taditos, pá!