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Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

A linha SNS 24 não é gratuita

ó menina, 29.02.20

A linha SNS 24, 808 24 24 24, indicada pela DGS - Direcção Geral de Saúde como contacto para informação e triagem ao Coronavírus não é gratuita.

Os números iniciados por 808 são números azuis. O utilizador paga cerca de 8 cêntimos por minuto.
Não é nenhuma fortuna, concordo, mas exclui a sua possibilidade de utilização a quem não tenha saldo ou tarifário compatível com estes números. Os tarifários pós-pagos/de factura, de qualquer operador, não disponibilizam minutos para números especiais pelo que o utilizador tem que ter saldo no telemóvel ou desbloqueados os consumos adicionais que serão cobrados posteriormente na factura. Para além de que pode ser complicado a um estrangeiro contactar este número através do seu tarifário e encontrar uma cabine telefónica operacional é, actualmente, uma verdadeira aventura sendo que quem as utilizar se ainda não tiver contraído o Coronavírus artisca-se a fazê-lo.

Eu concordo que o custo não é elevado mas não faz sentido que num momento em que a OMS - Organização Mundial de Saúde declarou emergência global de saúde pública a linha para rastreio tenha um custo e que quem não a contacte por ignorância ou impossibilidade financeira, recorrendo a um centro de saúde ou ao 112 (número europeu de emergência gratuito), não obtenha uma resposta capaz ou seja enfiado num WC até que o SNS 24 dê encaminhamento.

Tenho dito!

 

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Coronavírus - Recomendações às empresas

ó menina, 28.02.20

'A Direção-Geral da Saúde emitiu recomendações às empresas por causa do coronavírus, aconselhando-as a definir planos de contingência para casos suspeitos entre os trabalhadores que contemplem zonas de isolamento e regras específicas de higiene, evitando reuniões em sala.
(...)
A empresa deverá incluir no seu plano de contingência procedimentos básicos para higienização das mãos (devem ser lavadas com água e sabão e/ou desinfectadas), regras de etiqueta respiratória (evitar tossir ou espirrar para as mãos), de colocação de máscara cirúrgica (incluindo a higienização das mãos antes de colocar e após remover a máscara) e de conduta social que incluam alterações na frequência e/ou a forma de contacto entre os trabalhadores e entre estes e os clientes, evitando o aperto de mão, as reuniões presenciais e os postos de trabalho partilhados.'

Via Público

Tendo em conta as recomendações, já era tempo de para além de evitar os postos de trabalho partilhados as empresas de Call Center terminarem, definitivamente, com a partilha de headsets. Sim, em muitos call centers ainda são um equipamento partilhado. Um comunicador termina o seu trabalho, retira as esponjas com 2 ou 3 anos que lhe protegem as orelhas do headset e dá lugar ao comunicador seguinte que, sem acesso a toalhetes ou outra forma de higienização, coloca as suas esponjas com 2 ou 3 anos no mesmo headset e deita mãos ao trabalho num teclado com mais de 6 ou 7 anos que nunca foi limpo e também é partilhado.

A DGS não devia guardar os comunicados às empresas para épocas de alarme social.

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da Toponímia no Blog

ó menina, 27.02.20

O Sapo, vai-me informando (mais ou menos) de onde é que vocês são. 

Nunca saberei quem são os subscritores por email e descansem que mesmo aqueles cuja localização geográfica a plataforma denuncia continuam anónimos, a menos que queiram dar-me uma palavrinha. Sim, sei o vosso IP, se me apetecer, mas para que é que isso me serve? Hum?

Confesso que não tenho grande interesse em conhecer a verdadeira identidade de quem passa por aqui ou quantos são mas a localização geográfica revela-se bastante interessante.

Ontem ao verificar que um dos visitantes era de Lombo do Doutor pensei, Isto é brincadeira! Como é que alguém consegue inventar uma localidade? 

Entretanto fui pesquisar e a verdade é que Lombo do Doutor existe e fica na Calheta, Madeira.

Depois daquela ideia de jerico, de que juntar freguesias em meia dúzia de concelhos salvaria a economia nacional, ter acabado com freguesias de toponímia curiosa como Várza da Ovelha e Aliviada fico feliz por conhecer locais com nomes e histórias assim.

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Sejam todos muito bem-vindos!

 

 

 

 

Be a lady , they said

ó menina, 26.02.20

 

 

By Paul Maclean para a revista Girls, Girls, Girls

“Don’t be too fat. Don’t be too thin. Score weight. Lose weight. Stop eating so much. Don’t eat too fast. Order a salad. Don’t eat carbs. You need to lose weight. Get on a diet. God, you look like a skeleton. Why don’t you just eat? You look sick. Eat a Burger. Men love women with meat on their bones. Be easy. Be a little. Be gentle. Be feminine. Be a lady, they said. Don’t talk too loud. Don’t talk too much. Don’t be scared. Why are you so unhappy? Don’t be a bitch. Don’t be so arrogant. Don’t be emotional, don’t cry, don’t shout, don’t swear. You’ll be a good wife. Will take his name. You copied my name? Crazy feminist. Give birth to his children. You don’t want kids? Ever want. You’ll change your mind”.

 

Feriado no Carnaval, sim ou não?

ó menina, 25.02.20

O dia de Carnaval é feriado facultativo e antes do governo de Passos Coelho só Cavaco Silva cometeu a proeza de negar tolerância de ponto, à função pública, no dia de Entrudo. Foi em 1993.
A folga no feriado facultativo era tão certa que nem os patrões privados a ousavam questionar mas eis que o governo de Passos Coelho, para além de diminuir o número de feriados obrigatórios (estretanto já recuperados) nega, de 2012 a 2015, a tolerância de ponto no dia de Carnaval à função pública e, de repente, os patrões do privado, que andavam distraídos, perceberam que podiam continuar a explorar os trabalhadores nesse dia como noutro dia qualquer sem pagar a mais ou dar folga compensatória.

Depois disso, o assunto já foi discutido várias vezes na Assembleia da República e alguns partidos até o colocaram nos seus programas eleitorais mas o feriado continua opcional e nunca passou a obrigatório.
Num call center inbound ou de apoio ao cliente, por exemplo, a produtividade é baixíssima os consumos energéticos e de manutenção do edifício não compensam que se trabalhe como um dia normal mas a maioria trabalha. A maioria funciona normalmente porque assim fazem com que os trabalhadores usem férias num dia que lhes convém, é muito melhor para a empresa que o trabalhador goze férias num dia de baixa produtividade. Para além disso, as empresas não têm o foco no trabalhador, um dia em família com os filhos e as suas fantasias faria com que o trabalhador produzisse muito mais o resto da semana.

Sendo Portugal um país onde a tradição cultural deste dia está legislada para criar excepções geográficas ao feriado facultativo, com todas as dúvidas e confusão que isso levanta, faz todo o sentido que seja legislado como feriado obrigatório.
A geringonça foi útil para demonstrar que não somos preguiçosos e que não são os feriados que prejudicam a produtividade.


Por tudo isto, espero que no próximo ano possa desejar-vos um bom feriado para além de um bom Carnaval.

Bora lá trabalhar, malandros!

Aposto que vos encheram  os call centers, escritórios, repartições... de serpentinas como estímulo.

 

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Ser Benfiquista em outsourcing

ó menina, 23.02.20

'O Benfica recorreu a uma empresa de outsourcing, a Egor, para contratar figurantes para a Gala Galardões Cosme Damião, marcada para 4 de março, para o Campo Pequeno.'

Ao que parece o maior Clube do mundo, quiçá da Europa ou até de Portugal, não consegue mobilizar sócios e adeptos suficientes para encher o Campo Pequeno.  Ou, então, quer só garantir que todos aplaudem tudo.

E, quais são os requisitos exigidos pelo clube para se ser Benfiquista em outsourcing:

formação mínima (12.º ano)», «excelente apresentação» e «disponibilidade imediata».

Ou seja, um anúncio de emprego outsourcing como qualquer outro, não especifica tempo ou condições contratuais, remuneração ou regalias e solicita qualificações a mais para o tipo de função... de resto, só pede que os candidatos tenham boa aparência porque os benfiquistas são todos muito lindinhos, toda a gente sabe.

 

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via  https://perspectivaseolhares.blogs.sapo.pt/

 

«"Don' t fuck my job"»

ó menina, 22.02.20

Uau! Grande título, Ó Menina! 

Eu sei, eu sei mas não é meu.

"Don't fuck my job" é um livro. Sim, desses com folhas e tudo. Um livro coordenado por Raquel Varela (os call centers em Portugal teriam muito a ganhar se lhes aparecesse uma Raquel Varela pela frente. - Ó Menina, não acabaste de reingressar numa licenciatura de História é acabar isso e... Shiuu! Não foi para isso que abri este parêntesis!) 

Esta semana os estivadores do porto de Lisboa responderam  com uma greve total ao pedido de insolvência da Empresa de Trabalho Portuário, numa acção que se prolonga até dia 9 de Março e que conseguiu uma histórica adesão de 100% no dia 19 de Fevereiro. 

Aconselho, será uma leitura oportuna e todos a devem fazer antes de começar a questionar a demora na entrega das porcarias que mandaram vir do oriente só porque lhes apareceu um anúncio numa rede social comprovando a inutilidade e má qualidade do produto mas que como era barato decidiram encomendar na mesma. Neste caso a desculpa da pegada ecológica para não comprar livros em papel não será, obviamente, válida. Tá? 

 

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Ó Menina, declara o seu total apoio e solidariedade para com os estivadores e o SEAL. 

Para lá do call center

ó menina, 20.02.20

Já não haviam bilhetes para os Tindersticks. Voltaram a estar disponíveis mas eram poucos, caros e não tenho folga nesse dia...

O 'The lighthouse' não está num cinema perto de mim. Porquê?

Os arquivos portugueses estão quase todos fechados ao sábado. 

O Walter Benjamin estava a cair-me bem mas vai ter que descansar um bocadinho. 

Estou bloqueada em várias histórias, três contos de Reis e vários argumentos.

O 8 de Março está já aí, #niunamenos.

Primeiro, tenho que sobreviver ao Carnaval.

Este Sol de Inverno que me acorda... 

Já devia ter acabado a faculdade. Não suporto as aulas! Acho que vou desistir outra vez.

Levei menos de um minuto a abrir a mão! Yey! Tomei os comprimidos na mesma...

Há quem se dê ao trabalho de me vir declarar que perdi a piada. Discordo. Se nunca senti necessidade de a procurar não devo dá-la por perdida...certo?

E o Call Center, Ó Menina?

Está lá. Sim! Está lá, quarenta horas por semana, mas há a vida.

A vida para lá do call center não parece muito melhor. Eu sei, mas vou tentando.

 

 

 

 

 

 

Personalidade

ó menina, 19.02.20

A Ó Menina, como qualquer outro bloguer, cria e exibe a sua personalidade em fiapos mas na vida, felizmente, tem bem garantidos os seus direitos de personalidade.


'O Código do Trabalho reconhece a liberdade de expressão e de opinião, a integridade física e moral, a reserva da intimidade e da vida privada, a protecção de dados pessoais, a protecção de dados biométricos, a confidencialidade de mensagens e de acesso a informação, assim como limita ao empregador a exigência de testes e exames médicos ou a utilização de meios de vigilância à distância.'

 

Obrigada!

Musiquinha de espera #anti-racismo

ó menina, 16.02.20

Não percebo, nem quero perceber, de futebol mas tal não me impede de ficar extremamente indignada com o momento triste vivido pelo jogador Marega enquanto executava o seu trabalho.

Momentos como este deixam-me profundamente envergonhada por viver numa sociedade onde igualdade não é um conceito reconhecido por todos. 

'When do I Get to be Called a Man'  by 

Big Bill Broonzy

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