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Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Musiquinha de Espera #

ó menina, 31.05.20

Ó Menina, afinal és uma romântica! Exclamam vocês depois de verem o vídeo que se segue.

Sim, é verdade, no peito da Ó Menina também bate um coração e eu era ainda mais menina quando estes dois, que envelheceram tão bem, protagonizaram o ' Before Sunrise', primeiro filme da trilogia dirigida por Richard Linklater, por isso este é um filme que me traz boas recordações. Para além disso, este vídeo é pertinente e foi montado com muito bom gosto pelo Rob Stone.

Tem como banda sonora o 'Come here' da Kath Bloom que também fez parte da banda sonora do filme original e como bem sabeis este coraçãozinho não resiste a um bom folk. 

Amaciai-vos! 

 

 

 

Teletrabalho, Quando? Como? Onde?

ó menina, 30.05.20

O Governo anunciou que a partir de segunda-feira (01-06-2020) deixa de ser obrigatório o teletrabalho e até hoje sábado (30-05-2020) muitos trabalhadores continuam sem saber se segunda-feira devem apresentar-se na empresa ou continuar em casa. No sector dos call centers muitas empresas de trabalho temporário desculpam-se com o facto de os edifícios serem responsabilidade das empresas a quem prestam serviço e estas ainda não as terem informado. 

Inadmissível!

Por mais que as empresas, os patrões e os chefes desta vida apresentem aos trabalhadores guias onde informam que não devem estar em sítio que os impeça de estar no local de trabalho no prazo de duas horas caso lhes seja solicitado, sabem perfeitamente que a estabilidade do trabalhador é fulcral para a sua produtividade e numa situação excepcional em que foi solicitado aos trabalhadores que vestissem a camisola passando a teletrabalho, de um momento para o outro, arcando com despesas adicionais nas suas contas domésticas (electricidade, água, Internet e outras) o que se exigia era o mínimo de respeito. 

Os pais que estão em Teletrabalho por mais que creches ou pré-primárias tenham reaberto, como não há ATLs e actividades complementares têm que saber com o que contar. Quem não usa transportes públicos há dois meses tem que se reorganizar para correr o menor risco possível no caso de ter que voltar ao trabalho. E, todos têm que saber em que grupo se incluem caso as empresas decidam trabalhar em espelho, algo que é imperativo regular. 

O DN tem um artigo de ontem 29-05-2020 onde se debate quais as condições do que é ainda uma incerteza para muito, sendo que uma coisa é certa sem recomendações ou regulamentação adicional o regime de teletrabalho mesmo que na sua forma mista carece de um contrato escrito. 

'O Governo fez saber que para a generalidade dos casos voltarão a vigorar as regras vigentes no Código do Trabalho, e que exigem acordo escrito entre empregadores e trabalhadores. Não fazê-lo, lembram os especialistas em direito laboral, constitui contraordenação leve. Mas a questão deverá pôr-se também para quem passará a fazer turnos em espelho - parte do trabalho continuará a não ser realizado presencialmente. Ou seja, haverá teletrabalho parcial.

A questão sobre a regulamentação de um "regime misto" (teletrabalho e trabalho presencial) para o quadro da pandemia é suscitada por Pedro da Quitéria Faria, especialista em direito do trabalho, da Antas da Cunha Ecija.

Para o advogado, o Governo pode lançar mão de duas opções. "Uma é criar um outro regime transitório para que agora, durante determinado período de seis ou 12 meses, haja aquilo que já se começa a chamar de teletrabalho misto ou híbrido, em que uma parte da prestação é executada em modalidade de teletrabalho e outra presencialmente. A segunda questão é se vão ou não fazer uma readaptação mais profunda ao próprio regime do teletrabalho que já consta do Código do Trabalho - e que me parece que, no atual contexto, é necessário. Com ponderação, mas é necessário."

Outro especialista em direito do trabalho, Luís Gonçalves da Silva, da Abreu, rejeita para já a segunda opção. "Sem um debate e uma reflexão profunda, também sobre os caminhos alternativos, julgo que mexer no regime do teletrabalho constante do Código do Trabalho é um erro."

As leis do trabalho já enquadram a possibilidade de um regime misto, com a exigência de acordo que deve passar a letra escrita as condições em que o teletrabalho vai ser executado - incluindo período previsto de teletrabalho, mas também propriedade dos meios de trabalho e pagamento de despesas, por exemplo. O empregador também deve comunicar à companhia de seguros o local, ou locais, onde é prestado o trabalho.'

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Altice, Joga Sujo com Patrocínio Público

ó menina, 28.05.20

A Altice Portugal anunciou a 24 de março que teve, em 2019, “resultados históricos” de 2110 milhões de euros, fruto de um crescimento das receitas de 26 milhões de euros. No primeiro trimestre do ano, as suas receitas subiram 2.6%, chegando aos 522,3 milhões de euros e o seu lucro antes de juros, impostos, amortizações e depreciações atingiu os 210,2 milhões, uma subida de 1,8%, comparada com o período homólogo de 2019.

Depois deste anúncio, a 13 de abril, soube-se que a Intelcia colocou em lay-off 612 trabalhadores.

Para além disto, segundo a 'Plataforma Resposta Solidária' os trabalhadores do call center da Altice em Coimbra que estavam no período experimental foram despedidos. Estes trabalhavam para a empresa de trabalho temporário Egor.

Mais recentemente, Alexandre Fonseca, presidente executivo da Altice Portugal, pediu apoios estatais para o negócio do 5G que tinha sido suspenso em março por tempo indeterminado mas que o governo decidiu retomar.
Defende que a futura expansão desta rede para as zonas do interior do país, onde haja menos retorno, deve contar com “investimento público” ou “incentivos para empresas como a Altice Portugal fazerem investimentos nessas regiões.” E acrescenta que “se queremos garantir que temos casos de idosos, ou jovens que querem ter acesso a ensino de qualidade e não têm rede, os operadores privados não têm de fazer esses investimentos”.

Via Esquerda.net

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'Coação e assédio' na COFIDIS

ó menina, 23.05.20

Sim, 'Coação e assédio' nas empresas do ramo da COFIDIS não são novidade mas desta vez os visados são os trabalhadores e não os clientes.

O Sindicato dos Trabalhadores da Actividade Financeira (Sintaf) denunciou e acusou a COFIDIS de “coação e assédio” a uma trabalhadora.
“Na passada sexta-feira, 15 de maio, seis trabalhadores da Cofidis foram confrontados com o fim do seu trabalho na empresa”, o sindicato conta que a empresa especializada em concessão de crédito “convenceu” cinco dos trabalhadores a aceitar que “não havia lugar para trabalhar na empresa”, mas uma trabalhadora “não aceitou este ‘convite’ para se ir embora”, comunicando a sua decisão à Cofidis. “Desde ontem, 20 de maio, que esta trabalhadora, como represália, está confinada a uma sala, sozinha, sem trabalho, sem computador e sob coação e assédio”, pode ler-se no comunicado do Sintaf. “Por ordem da chefia, a sala deve ser mantida fechada” e “amanhã pelas 09:00, esta trabalhadora apresentar-se-á ao trabalho”, continua o sindicato.

Infelizmente atitudes frequentes em Portugal.
Já assisti a situações semelhantes. Trabalhadores levados para uma sala onde lhes são indicados erros ou defeitos de forma bastante empolada, apresentando-lhes cenários hipotéticos de despedimento por justa causa, a fim de que se sintam constrangidos e assinem um pedido de rescisão 'voluntário'. Quando alguém recusa ou tendo aceite, após abandonar o local, pára para pensar ou pára no escritório de um advogado e volta atrás dentro do prazo previsto na lei para o efeito, vê o acesso ao local de trabalho ser-lhe negado ou passa a ser completamente ostracizado pelos 'chefinhos'. Maioritariamente tudo isto acontece perante o silêncio dos colegas.

Temos, todos, que passar a estar mais atentos. Identificar, denunciar, partilhar, divulgar, mostrar desacordo e usar o nosso direito a resistir. 

Tempos como os que estamos a atravessar, de medo e incerteza, são ideais para a disseminação deste tipo de práticas. 

Amanhã podemos ser nós.

 

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Questões que me apoquentam

ó menina, 22.05.20

Como estarão a sobreviver os portugueses que a cada passo nos presenteavam com a sua tão tradicional escarreta? Hum?

Vídeo educativo, realizado por altura da Grande Guerra (ca 1914) com o objetivo de chamar a atenção para como tão repelente hábito contribuía para a disseminação da Tuberculose.

No final do vídeo é sugerido um objecto, útil para os que não conseguem abdicar desta prática. Um frasco para que possam carregar no bolso o resultado do seu desporto favorito. Agora, com as máscaras não é necessário o frasco. 

Teletrabalho, após 31 de Maio, Muito Cuidado

ó menina, 20.05.20

SINTTAV Alerta: Teletrabalho, após 31 de Maio, Muito Cuidado!

Para o SINTTAV - Sindicato Nacional dos trabalhadores das telecomunicações e audiovisual, o 'Teletrabalho veio aumentar a selva laboral'.
'Nesta situação do Teletrabalho, como resultado da "selva laboral" que se vive na generalidade das ETT/Outsourcing, onde a repressão é o "pão de cada dia", nalguns casos a partir das(os) "capatazes" nos locais de trabalho, o medo está instalado e os trabalhadores para não correrem o risco de perder o emprego que embora seja mau, é a sua fonte de rendimento, sujeitam-se a muitas situações inadmissíveis em situação laboral normal.
(...)
O governo já comunicou que a partir de 31 de Maio, cessa a obrigatoriedade de Teletrabalho e volta a ser como antes, ou seja, este só se pode realizar desde que exista um acordo escrito entre o patronato e o trabalhador. O SINTTAV alerta os trabalhadores, dizendo que todos os cuidados são poucos e recomenda que nenhum trabalhador assine qualquer acordo sem consultar o sindicato.
Para o SINTTAV, se as empresas querem Teletrabalho, que se disponibilizem a Negociar um Acordo Global com o nosso sindicato.'

O alerta vem do SINTTAV e refere-se em especial aos trabalhadores de ETT/OUTSOURCING mas estende-se a todos os trabalhadores de todos os sectores e PMEs que queiram aproveitar a oportunidade que a pandemia lhes deu de perceber que os trabalhadores afinal não são uns irresponsáveis preguiçosos, até produzem em casa evitando, às empresas, despesas de água, electricidade e outras que passaram para o trabalhador já que aproveitaram a ausência na lei quanto à forma de cálculo usada para reembolsar o trabalhador das mesma para passar aos trabalhadores a ideia de que, dada a excepcionalidade da pandemia, reclamar esse valor é ser picuinhas e não vestir a camisola.

A vontade que as empresas expressam em passar para o Teletrabalho pode ser a oportunidade de muitos trabalhadores terem o que, até aqui, a ausência de contratação colectiva e o não reconhecimento como profissão (caso dos trabalhadores de Call Center) lhes tem negado. A oportunidade de participar do processo, ter voz, definir as suas condições de trabalho para o futuro. Daí que seja importante o 'Contrato Global'.

Reúnam-se com os vossos colegas, sindicalizem-se, consultem o vosso sindicato, seja ele qual for, ou um advogado especialista em trabalho.

Tenham cuidado e por uma vez não desperdicem a oportunidade de participar na definição do vosso futuro laboral e do futuro dos que venham a integrar o vosso grupo.

Lembrem-se que para os trabalhadores em conflito com a empresa pode ser uma oportunidade de o resolver, através de uma boa negociação.

Não desperdicem o timing!

 

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Acham que tenho um problema?

ó menina, 18.05.20

Sejam sinceros!

Num país que enfrenta uma pandemia, em Estado de Calamidade, onde apesar da mortalidade, de um Serviço Nacional de Saúde periclitante, de taxas de desemprego avassaladoras... a maior parte da população escolhe como desígnio nacional 'a praia' e até o Presidente da República conta como arranjou um esquema para continuar a ir à praia, num barquinho a remos, ter uma praia à porta de casa nunca meter lá os pés e estar-se borrifando para as regras com que as praias vão abrir é ter um problema qualquer, certo?


Digam-me! Acham que tenho um problema?

 

Sempre que penso no Sr. Presidente Marcelo num barquinho a remos, lembro-me disto:

Les Vacances de monsieur Hulot (1954) by Jacques Tati

Está dito: "Até agora a maior aposta do Netflix, em Portugal, foi um call center."

ó menina, 16.05.20

"Até agora a maior aposta do Netflix em Portugal foi um call center."

Mário Rui André, num artigo da Shifter a propósito do concurso lançado pelo Netflix com o ICA que irá premiar 10 autores portugueses: 5 com 25 mil euros e 5 com 6 mil euros. Valores com os quais, infelizmente, em Portugal se consegue fazer uma curta-metragem de ficção fraquinha ou um documentário mas nunca uma produção com ambições internacionais.

De qualquer forma, uma oportunidade.

Uma vez que o concurso se destina, essencialmente, a premiar ideias esperemos que alguma tenha a capacidade de fazer a multinacional olhar para o nosso país com outros olhos já que, até hoje, a sua maior aposta em Portugal foi, de facto, um call center.

Um call center que recruta pela teleperformance, essa Babel onde trabalhadores qualificados prestam apoio aos subscritores do Netflix em várias línguas.

A Disney, foi outro gigante que também montou a sua torre de Babel, em Portugal, que começou a mostrar sinais de ruína  quando deixou desprotegidos os funcionários no início da crise Covid-19. Isto, antes de trazer para Portugal o seu serviço de streaming concorrente do Netflix, o Disney Plus.

 

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Teletrabalho: a partir de Junho deixa de ser obrigatório

ó menina, 15.05.20

A partir de Junho, o teletrabalho volta a seguir as regras da legislação em vigor antes do Estado de Emergência, passando a depender do acordo entre empregador e trabalhador.

O Primeiro-ministro disse, hoje que 'deve ser feito um esforço para ser reduzido o teletrabalho' que continua obrigatório até 31 de Maio.

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Desconfinemos...

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