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Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Um desafio que merece destaque

ó menina, 30.06.20

"Um dos desafios que o teletrabalho nos trouxe foi o de manter no trabalhador o sentimento de pertença ao colectivo" Foi a frase escolhida, pela equipa do SapoBlogs para destacar o post anterior. Muito bem escolhida, eu realmente às vezes digo coisas que sim senhora...

No post destacado partilhava a luta dos trabalhadores do Call Center NOS/RANDSTAD de Coimbra que incluiu um teleprotesto que decorreu durante a tarde de hoje. Um teleprotesto em que participaram os trabalhadores que estão em greve, organizações sindicais, alguns dirigentes políticos e um deputado do BE.

Quem quiser ouvir as reivindicações dos trabalhares na primeira pessoa pode fazê-lo na página de Facebook do STCC que é o sindicato que os acompanha mais activamente neste processo, Tás Logado? 

Eu já fui espreitar.

Repito a frase destacada, sem cortes e com acréscimo:

'Um dos desafios que o teletrabalho nos trouxe foi o de manter no trabalhador o sentimento de pertença ao colectivo, não sei como é que os CEOs da RANDSTAD estão a lidar com isso, mas os sindicatos parecem estar a superá-lo com distinção', os trabalhadores ainda mais. 

 

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Teleprotesto, na era das telecoisas

ó menina, 29.06.20

O Call Center RANDSTAD/NOS de Coimbra tem marcado para amanhã um Teleprotesto

O Teleprotesto foi decidido pelos trabalhadores em Teleplenário uma vez que se encontram em Teletrabalho.

A acção de luta conta ainda com uma greve de 2 dias a decorrer hoje (29) e amanhã(30).

Um dos desafios que o teletrabalho nos trouxe foi o de manter no trabalhador o sentimento de pertença ao colectivo, não sei como é que os CEOs da RANDSTAD estão a lidar com isso, mas os sindicatos parecem estar a superá-lo com distinção.

O evento decorre amanhã pelas 15h00 na página de Facebook do STCC - Sindicato dos Trabalhadores de Call Center e todos podem assistir aproveitando o fim da Telescola ou o estarem em Teletrabalho. 

Participem e partilhem. Acrescentem uma telecoisa ao diário do novo 'normal'.

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Os trabalhadores do Call Center RANDSTAD/NOS de Coimbra aguardam resposta ao caderno reivindicativo que apresentaram antes da pandemia e que motivou uma greve a 10 de Março com adesão de cerca de 90%. (falamos disso aqui)

 

Imagem e Informação via Tás Logado?

 

 

 

Vida Invisível

ó menina, 24.06.20

'Vida Invisível' foi o último filme que vi no cinema antes do confinamento por Covid-19. Um enorme esforço da cinematografia brasileira para se fazer sobressair na Sétima Arte, tem participação portuguesa e venceu o prémio 'Um Certo Olhar' em Cannes mas não alcançou muito sucesso junto do público.
Achei-o pouco mais que uma telenovela curta num ecrã gigante, apesar do tremendo esforço em responder a todos os clichês que um sucesso exige, muito denunciado. Mas, tem um excelente título, não posso negar.

Do confinamento, da reorganização horária trazida pelo teletrabalho, ficou-me o hábito recuperado à infância de terminar o dia com uma telenovela brasileira. 'Amor de Mãe' uma telenovela que me deixa a sensação de estar a assistir a um filme longo em ecrã pequeno. Uma excelente lição de construção da estrutura temporal narrativa para muitos autores e aspirantes a autores que acham necessário explicar até o que acontece enquanto se dorme.

Uma das protagonistas da novela é interpretada por Regina Casé que é também a actriz principal do filme 'Que horas ela volta?', um filme brasileiro de 2015 vencedor do prémio do público no Festival de Berlim. Menos dado ao clichê, muito bom e que recomendo principalmente nesta altura em que percebemos que o vírus até pode ser democrático mas a sua disseminação não é e encontra na classe trabalhadora território privilegiado.

No momento em que a vida habitualmente invisível da classe trabalhadora pobre passou para a ribalta e as questões relacionadas com discriminação também sugiro-o como mote para uma reflexão, cada vez mais necessária, sobre que sociedade queremos/escolhemos viver e como participamos nela.

Façam-se visíveis!

Ainda o Teletrabalho

ó menina, 23.06.20

Ontem, naquele espaço semanal que a RTP1 usa para fingir serviço público, o 'Prós e Contras', José Miguel Leonardo -CEO da Randstad Portugal debateu acerca do teletrabalho.

Entre outras coisas, referiu-se ao momento presente como uma 'situação de excepção que ainda não terminou' pelo que ainda não é possível dizer se o Teletrabalho veio ou não para ficar mas que o importante é procurar (para o teletrabalhador) o equilíbrio entre vida pessoal/familiar e profissional.

Deve ser por isso que a Randstad mantém neste momento por decisão unilateral, sem acordo com os trabalhadores, várias equipas em teletrabalho sem uma previsão de até quando pretende fazê-lo. Por mais que os trabalhadores concordem que se a empresa não tem condições de higiene e segurança para os receber o melhor é permanecer em teletrabalho, até para dizer que sim a Randstad deve ouvi-los e não ignorar a sua personalidade nomeadamente a jurídica.

Estamos num período de excepção mas a excepção legal para o teletrabalho terminou a 01 de Junho. O correcto seria que a Randstad e demais empresas, considerando que não reunem condições para terminar com o teletrabalho, propusessem aos trabalhadores manter a situação por 2,3 meses deixando-os assim com uma data, uma previsão. 

Não é possível o CEO de uma empresa que não o faz ir vender a sua marca para a televisão pelo epíteto de que se preocupa com o equilíbrio entre vida pessoal e profissional dos trabalhadores quando os mantém numa situação em que não sabem se amanhã os colocam ou não em trabalho presencial.

Enquanto a Randstad se vende na televisão pública os seus trabalhadores perdem o sono, sem saber o que vão fazer com os filhos se os chamarem de um momento para o outro, como vai ser com o estacionamento, os transportes, as máscaras... o Sr José Miguel Leonardo pode dizer-se muito preocupado com os seus mas a 'família' Randstad não tem como lho reconhecer apenas desconfiar que as verdadeiras intenções são as de manter a poupança proporcionada pelo teletrabalho em sectores como os call centers onde os custos de produção são sobretudo indirectos e estão agora do lado dos trabalhadores a quem a empresa não dá qualquer compensação.

Anseio por um 'Prós e Contras' sobre 'lay off' com o CEO da Randstad. Fica a sugestão!

 

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Também não sou fã mas daí a cortar-lhe a cabeça...

ó menina, 21.06.20

Também não sou fã do Baden-Powell mas daí a cortar-lhe a cabeça...

A minha embirração com o Baden-Powell encontra a sua génese nos seus fãs, esses seres que por lei têm sempre boa disposição de espírito, os Escutas.
Sempre que viajo de comboio temo cruzar-me com um grupo deles, sempre delicados e respeitadores, a caminho de um acampamento qualquer onde vão trabalhar na protecção dos animais e da natureza, muito felizes e contentes a cantar o Kumbaya cheios de esperança para o dia porque ainda são sete da manhã e sobra-lhes tempo para as boas acções...
É chato! Eu sei, ninguém merece! Eles são muitos e estão espalhados pelo mundo, podem aparecer de qualquer lado, mas daí a decapitar o busto do seu fundador e ídolo vai um longo caminho.

Captura-de-ecrã-2020-06-20-às-09.47.52.jpgBusto de Baden-Powell decapitado a 20/06/2020, em Coimbra.

Pergunto-me se os executantes de tão bravo acto, contra uma pedra, alguma vez consultaram a sua árvore genealógica. Não tenho dúvida de que a origem é a mesma, para todos. A hipótese do Out of Africa há muito que deixou de ser uma hipótese. Não há duvida de que há cerca de 60 000 anos os nossos antepassados saíram de África, mas desde que eles saíram de lá até aos nossos dias muitas gerações se sucederam e desconfio de que se algumas pessoas soubessem a história de vida dos seus familiares assistiríamos a uma diferente distribuição de riqueza no mundo já que muitos iriam abdicar do património recebido por herança e, no limite, a alguns suicídios por decapitação já que isto é gente que não faz muito uso da cabeça.

ps Questões que me apoquentam um bocadinho: para que é que levaram a cabeça, da estátua? O que pensam fazer com ela?

Corei

ó menina, 20.06.20

 

Sim, sou uma menina das que cora facilmente.

Não é defeito!

Há estudos que provam que as pessoas que coram revelam opiniões e comportamentos mais solidários e honestos o que, segundo os especialistas, torna uma pessoa que cora facilmente muito atraente aos que procuram uma relação duradoura. Esperava confirmar  esta última, parte pelo método empírico  mas nunca me cruzei com uma dessas pessoas que procura um relacionamento duradouro.

Corei, na Rua da Índia, porque gosto muito de blogues e nos bons, nos mesmo bons anda a circular uma reflexão colectiva acerca do porquê de escrever em blogs e quando comentei na Rua da Índia, porque gostava de escrever em blogues, recebi uma resposta que me fez corar por me revelar que, apesar do tempo que disponho ser pouco, estou no caminho certo e continua a valer a pena ganhar tempo com isto.

Obrigada!

 

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