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Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Adormecida

ó menina, 10.02.20

A cerimónia dos Óscares 2020 foi um mau espectáculo. Não valia a pena perder o sono, hoje de manhã as notícias partilhavam os vencedores. Deixei-me dormir ou fui adormecida.

Para além de ser um espectáculo pobre, foi demasiado politizado pelos organizadores que esperavam encontrar na cerimónia alguma redenção para as críticas que receberam pela falta de diversidade nas nomeações.
Mulheres, negros, gordinhos ou pessoas que de certa forma fogem ao tipo de beleza de Hollywood, um cadeirante num coro de gospel, um portador de Síndrome de Down a ser tratado como um deficiente pelo seu companheiro de palco... a organização tentou tudo para mostrar na apresentação o que não fez nas nomeações. Todos os espaços eram poucos e tivemos que levar com a bizarria de levar com pessoas que foram lá só para apresentar pessoas que iam apresentar coisas. O tempo que nos tinham poupado...
A diversidade linguística habitualmente negada pela academia, este ano, fez-se notar.
A delegação Coreana teve direito a intérprete e a canção do filme de animação Frozen foi interpretada em várias línguas com a participação das actrizes que fizeram a dobragem em vários países, não teve representantes da língua portuguesa. (Bom momento para pensarmos para que serve o Instituto Camões e porque é que quem nos representa insiste em falar Inglês, fora de países de língua Inglesa ou na União Europa da qual o Reino Unido se fez excluir).

Quando à distribuição dos prémios não há como dizer que não mereciam porque foram todos muito bons mas a atribuição das estatuetas teve momentos que demasiado politizados.

A melhor curta-metragem de animação 'Hair Love' aborda um assunto pertinente mas não era a melhor.

O documentário 'American Factory' produzido por Obama, o único Presidente americano a cumprir dois mandatos em guerra e cujo capitalismo supostamente inclusivo também nos levou ao Trump (os russos não fizeram tudo sozinhos) é um claro acto político. Não há como negar que aborda questões pertinentes mas não chegou lá pela qualidade.

O problema, quando tudo obedece ao politicamente correcto, é que até o vencedor, que só conheci esta manhã e que era o meu preferido disse-o dois ou três posts abaixo onde também adivinhei alguns dos vencedores, até o vencedor parece ter chegado lá pelos motivos errados.

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poster by Nuno Sarnadas

Agora vou acabar esta longa segunda-feira a ver os vestidos das senhoras que também sou Menina de certas vaidades...

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