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Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Cinema sem pipoca #com nuvens

ó menina, 28.11.19

 

Alguém me lembrou de que vivemos dentro do céu e não abaixo dele. Não me é uma expressão estranha já que o seu autor é o Gavin Pretor-Pinney fundador da Sociedade de Apreciadores de Nuvens com a qual aprendi a tratar as nuvens pelo nome (não me julguem! Antes isto que acreditar que a terra é plana). Não me é estranha, mas há momentos em que acreditar nela se assemelha a um acto de fé. Crer sem ver.
Este fim-de-semana fui ver o 'Sorry, we missed you' do Ken Loach. A tradução do título para português resultou num 'Passámos por cá' que retira força ao título inglês, eu traduziria o título para um simples 'Falhámos-te', não temos que ser literais.
Falhámos-te é o que nos apetece dizer aos personagens assim que o filme termina. Segurar-lhes as mãos, olhá-los nos olhos, dizer-lhes falhámos-te como quem assume uma culpa e ficar ali uns segundos suspensos no reflexo da nossa imagem na retina deles. Identificamo-nos com eles em tantos momentos mas simultaneamente sentimo-nos parte do sistema pantanoso em que Ricky e a sua família se afundaram e de onde tentam sair desde a crise económica de 2008.
O retrato é cru, pessoal. A estrutura narrativa não é convencional, a riqueza do argumento do Paul Laverty faz-nos oscilar entre duros momentos de emoção e revolta e algumas pausas de surpresa e felicidade que nos puxam de novo para o difícil acto de fé que é acreditar que o céu é na terra.

Vejam 'Sorry we missed you' vejam o 'I Daniel Blake'.

 

 

2 comentários

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    ó menina 30.11.2019

    Plenamente de acordo.
    Obrigada.
    Bom fim-de-semana!
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    CorretorMais

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