Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Coimbra dos Call Centers, é uma lição e tem pré-aviso de greve para amanhã, 10 de Março na Randstad/Nos

ó menina, 09.03.20

Na Coimbra dos Call Centers, os comunicadores viram os seus rendimentos reduzidos em 200 euros mensais com o corte de um subsídio fixo que receberam ininterruptamente durante anos e vêem, todos os dias, o princípio de para trabalho igual salário igual violado com o pagamento de subsídios de alimentação diferentes entre comunicadores com as mesmas funções. Por estas e mais razões que abaixo irei transcrever iniciaram um processo negocial com a empresa que só não obteve uma resposta negativa porque não obteve resposta alguma.

Hoje reunem-se pela terceira vez em plenário, já com pré-aviso de greve para amanhã, 10 de Março.

A greve pode ser cancelada caso a Randstad resolva responder positivamente às reivindicações dos trabalhadores, mas nós já os conhecemos.

Os trabalhadores prometem mostrar à cidade a sua luta e partilhar as reivindicações com quem desconhece que naquela tão ilustre cidade do conhecimento a precariedade laboral potenciada por engenhosos processos de outsourcing é igual à do resto do país.

Numa cidade que parece adormecida desde 1969, quem puder, junte-se a eles, para gritar alvorada e despertar a zona centro.

Labour-Strike.jpeg

Abaixo podem ler o pré-aviso de Greve colocado pelo STCC para 10 de março na Randstad/NOS de Coimbra

Ao Ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social;
À administração da Randstad;

O Sindicato dos Trabalhadores de Call-Center vem por este meio colocar um aviso prévio de Greve para o Call-Center da Randstad, Projecto NOS de Coimbra, para o dia 10 de Março de 2020, das 00h às 24h.

Este aviso prévio resulta da decisão unânime dos trabalhadores do referido call-center reunidos em Plenário, no passado dia 21. Esta decisão unânime dos trabalhadores resulta da ausência de resposta ao caderno reivindicativo elaborado em Plenário anterior e igualmente votado por unanimidade, que foi endereçado à Randstad no dia 21 de Janeiro, tendo sido dado um mês para resposta. Na ausência da mesma, os trabalhadores vêm-se obrigados a convocar greve.

Tendo sido o STCC, e por esta via, os trabalhadores, informado que a Randstad pretende dar uma resposta ao Caderno Reivindicativo até dia 6 de Março e não querendo mostrar uma posição intransigente nem tendo, trabalhadores e Sindicato, qualquer interesse especial em avançar para a greve, a ratificação ou não da Greve e a concretização da mesma estarão dependentes da avaliação feita pelos trabalhadores da resposta a ser dada até dia 6 pela Randstad. Neste sentido, haverá novo Plenário no dia 9 para que os trabalhadores possam tomar essa decisão. Caso as reivindicações apresentadas seja satisfeitas, os trabalhadores irão avaliar a possibilidade de não concretizar a paralisação que estamos por este meio a convocar.

No sentido do que foi referido acima e na sequência do Caderno Reivindicativo elaborado pelos trabalhadores em Plenário, a greve tem como base as seguintes reivindicações:
Restituição do subsídio fixo de 200€ para todos/as os/as trabalhadores/as. O mesmo não deve estar sujeito a cortes senão na proporção a eventuais faltas dadas, na mesma medida em que sucede com o salário-base. O mesmo não deve impedir eventuais futuras atualizações do Salário Mínimo Nacional. Este não pode igualmente interferir com o pagamento de comissões/prémios referentes ao cumprimento de objetivos;

- Igualdade no Subsídio de Alimentação pago aos trabalhadores/as. Essa igualdade deve ser alcançada através do nivelamento por cima dos subsídios atualmente pagos. O que se traduz no pagamento do subsídio de alimentação de 7.63€ diários as todos/as os/as trabalhadores/as;

- Efetivação de todos/as os/as trabalhadores/as ao fim de três anos de trabalho, com efeitos retroativos. Ou seja, garantindo a efetivação de todos/as os/as trabalhadores/as que atualmente já ultrapassaram esse limite;

- Aumento do tempo de pausa para 6 minutos por hora;

- Contabilização e pagamento do tempo trabalhado após o término do horário de trabalho mediante o estabelecido por lei (art. 203 do Código de Trabalho);

- Os horários a cumprir pelos/as trabalhadores/as devem ser fixos, sem ser sujeitos a alterações;

- Deve ser dado o direito a todos/as os/as trabalhadores/as a escolher entre o pagamento do subsídio de alimentação em cartão de refeição ou em numerário, pago juntamente com vencimento mensal;

- As fórmulas de calculo dos prémios/comissões dependentes de objetivos comerciais ou outros devem ser afixadas e do conhecimento de todos/as os/as trabalhadores/as. As mesmas devem ser mantidas sem alterações por períodos mínimos de um ano. Caso pretenda altera-las, a entidade patronal deve avisar o(s) Sindicato(s) com representação no local de trabalho com um mínimo de um mês de antecedência, de forma a este poder consultar os/as trabalhadores/as e elaborar um parecer. No caso de serem apresentadas dúvidas por parte de algum trabalhador/a sobre a correspondência entre os valores de prémios/comissões que lhe sejam pagos e as fórmulas em vigor, a entidade patronal está obrigada a prestar esclarecimentos através do/a(s) delegado/a(s) sindical ou com o conhecimento do/a(s) mesmo/a(s);

- Os Headsets devem ser atribuídos individualmente a cada trabalhador(a);

- Deve ser reforçada a qualidade da limpeza do espaço de trabalho, assim como da Copa, Micro-Ondas e W.C., com o reforço dos meios humanos e materiais da mesma, caso necessário;

- Deve ser reforçada a qualidade da limpeza e manutenção dos Ares Condicionados, assim como garantidas limpezas e monitorizações periódicas dos mesmos;

- As normas decorrentes da satisfação das presentes propostas devem consubstanciar-se sob a forma de um Regulamento Interno, que deve ser afixado de forma permanente em local acessível a todos/as os/as trabalhadores/as, sem prejuízo de serem igualmente consubstanciadas em adendas aos contratos dos/as trabalhadores/as presentes e futuros;

Não havendo no local de trabalho abrangido por este aviso prévio prestação de quaisquer serviços mínimos de satisfação de necessidades sociais indispensáveis, não haverá lugar a serviço mínimos, como previsto no artigo 537º do Código de Trabalho.

Lisboa, 25 de Fevereiro de 2020,

A Direção do STCC

 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.