Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Estado de Emergência #

ó menina, 24.03.20

Hoje é dia 24 de Março, dia nacional do estudante, e eu só consigo pensar que escolhi uma péssima altura para fazer reingresso na Universidade. Os professores andam eléctricos, querem-nos mais disponíveis do que quando as Universidades estão abertas como se todos os alunos fossem ainda adolescentes que ficaram em casa sem nada para fazer. Ora, os estudantes-trabalhadores  estão a trabalhar e a ter que se adaptar a novas realidades que não deixam tempo para responder às suas solicitações e não vão conseguir repor ou recuperar trabalhos que ficaram a meio com o fecho de bibliotecas ou arquivos ainda antes do Estado de Emergência. Suspender as Propinas como defendem o Bloco de Esquerda e algumas Associações Académicas é não só pensar nas famílias como também pensar nos trabalhadores.

800px_COLOURBOX9796019 (1).jpg

Estou, finalmente, em casa. Exausta mas em casa. 

Há ainda muitos trabalhadores de Call Center a ter que ir trabalhar para os 'barracões' como lhes chamo. Uma expressão que chocava algumas pessoas que estão, agora, a acordar para a realidade e a perceber a lógica dos centros de atendimento: pavilhões sem luz ou arejamento natural, open space, com postos de trabalho partilhados e muita rotatividade de horários. Quem chega senta-se no lugar que ficou vazio, partilha equipamentos como teclados, ratos ou mesmo headsets. Em pequenas copas partilhadas as centenas de trabalhadores fazem as suas pausas e refeições enquanto esperam voltar para a linha, para ser auditados e avaliados ao segundo.

Por isto e porque pode ser útil para os que se sentem em risco A GREVE NOS CALL-CENTERS MANTÉM-SE apesar das limitações impostas pelo estado de Emergência. 
Segundo comunicado dos STCC:

O STCC convocou Greve entre dia 24 de Março e 5 de Abril inclusive. O aviso prévio exclui a “linha SNS24 e outros serviços imprescindíveis de saúde pública, apoio ao INEM, apoio a forças de segurança e linha de apoio à vida”.

Esta Greve visa reivindicar: a) Transição imediata para o regime de Teletrabalho, cumprindo o que a lei determina a este respeito; b) Suspensão imediata da actividade de todos os call-centers que não exerçam funções socialmente imprescindíveis. Os trabalhadores devem ser colocados de quarentena, sem perda de rendimentos, enquanto aguardam em casa que a empresa acautele os meios técnicos de transição para o Teletrabalho. c) Qualquer actividade que continue a existir nos call-centers deve observar as seguintes garantias: 1) quarentena imediata sem perda de rendimentos de todos os trabalhadores pertencentes a grupos de risco, assim como daqueles que tenham feito viagens recentes ao estrangeiro; 2) separação de todos os trabalhadores pelo menos 2 metros de distância; 3) existência de meios individuais de trabalho e limpeza e desinfecção recorrente dos mesmos.
Não devem aderir à greve os trabalhadores cujas funções se enquadrem “sectores económicos vitais para a produção, abastecimento e fornecimento de bens e serviços essenciais à população”. São esses sectores: a produção, fornecimento e piquetes de emergência para avaria de água, gás, electricidade, comunicações, transportes públicos, viaturas particulares, bem como os bens e serviços de carácter básico como a produção e fornecimento de bens alimentares. Estes passam a estar excluídos do âmbito da greve, tal como os sectores imprescindíveis já antes referidos.

Em caso de dúvida, informem-se.

4 comentários

Comentar post