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Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

14
Jun19

Estamos no interior


Sim, nós também estamos no interior e cidades mais pequenas, fora da capital.

A greve de ontem no call center da EDP, em Seia, teve 95% de adesão, num universo de cerca de 600 trabalhadores ao serviço da Manpower. Números que contam!

Obrigada, Ó Meninos da serra!

Sempre que noticias como esta são divulgadas assisto ao espanto de muitos que acreditavam, até aí, que os Call Centers eram um fenómeno exclusivo de Lisboa e Porto. Não podiam estar mais enganados.

Os Call Centers têm-se disseminado por todo o país com o patrocínio de todos nós.

Vejamos o exemplo da Altice que tem neste momento Call Centers em: Vieira do Minho, Castelo Branco, Lamego, Amarante, Guarda, Viana do Castelo, Fafe, Oliveira do Hospital, Penafiel, Viseu, Macedo de Cavaleiros e Covilhã. (informação em actualização) Para além de grandes cidades como Lisboa ou Coimbra.

Na Covilhã, a Altice abriu em parceria com a Randstad, empresa de trabalho temporário, um Call Center em Fevereiro de 2018. A Randstad contou, para a instalação do call center, com a Câmara Municipal da Covilhã que investiu 100 mil euros na criação de condições logísticas e técnicas e em contrapartida exigiu à Randstad o investimento de 3600 euros em formação por cada trabalhador (e nós sabemos para onde vai o dinheiro subsidiado às empresas para formação dos trabalhadores, certo?) e 75 mil euros de remuneração para um grupo de 100 pessoas. 

Ou seja, a Câmara Municipal da Covilhã investiu 100 mil euros para garantir que na região era instalado um Call Center, que usa a exigência de horas de formação para iniciar a sua relação com o trabalhador com um contrato de  formação de até 3 meses que são aproveitados para que o trabalhador trabalhe, de facto, sem direito a prémio ou descontos para a segurança social, (prática  de qualquer Call Center Randstad ou Manpower, eu que o diga!) e investiu 100 mil euros para garantir uma remuneração bruta a 100 pessoas de 750 euros considerando os subsídios de férias e Natal calculados em duodécimos. Tudo isto, depois de em 2013 ter financiado a instalação do Data Center da Altice, com um protocolo que convencionava a criação de 1000 postos de trabalho mas a Altice ficou-se  por 200.

Sim, estamos por todo o lado e é dinheiro público o que está a patrocinar um sector onde se aproveita a omissão legal e o desprezo de hemiciclo atrás de hemiciclo para estender os tentáculos da precariedade e baixos salários por todo o território nacional.

Pergunto-me, quando é que os call centers mais pequenos, menos visíveis e menos interessantes para a luta sindical vão beneficiar de uma concertação de forças que leve a uma iniciativa de greve nacional do sector, devidamente divulgada e difundida para afastar receios naturais em trabalhadores precários? 

 

Força nisso, Ó meninos!

 

 

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