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Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Leituras de Verão

ó menina, 08.07.19

 

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“Suicídio e Trabalho: o que fazer?” de Christophe Dejours e Florence Bègue

 

Christophe Dejours, Psiquiatra, psicanalista e professor no Conservatoire National des Arts et Métiers, em Paris, onde dirige o Laboratório de Psicologia do Trabalho e da Acção – uma das raras equipas no mundo que estuda a relação entre trabalho e doença mental, é um dos autores do livro Suicide et Travail: Que Faire? onde aborda especificamente a questão do suicídio no trabalho, que se tornou muito mediática com a vaga de suicídios que se verificou na France Télécom na primeira década deste século.

Em 2010 esteve em Portugal e foi entrevistado pela jornalista Ana Gerschenfeld para o Público.

Onde explica que "Não há “trabalho vivo” sem sofrimento, sem afecto, sem envolvimento pessoal(...) É o sofrimento que mobiliza a inteligência e guia a intuição no trabalho, que permite chegar à solução que se procura.

Claro que no outro extremo da escala, nas condições de injustiça ou de assédio que hoje em dia se vivem por vezes nas empresas, há um tipo de sofrimento no trabalho que conduz ao isolamento, ao desespero, à depressão." E à questão
'O que é que mudou nas empresas?' responde: "A organização do trabalho. Para nós, clínicos, o que mudou foram principalmente três coisas: a introdução de novos métodos de avaliação do trabalho, em particular a avaliação individual do desempenho; a introdução de técnicas ligadas à chamada “qualidade total”; e o outsourcing, que tornou o trabalho mais precário.

Não sou clínica, sou Ó Menina, e também não penso em suicídio mas interesso-me pela organização do trabalho e acredito, tal como o autor, que um único acto de assédio moral contamina toda a organização sendo um acto de 'tortura brutal'.

Não quero ser parte desinformada neste ambiente.
Já que tenho que participar dele, como qualquer pessoa que tem que trabalhar por conta de outrem e pagar contas, desenvolvo ferramentas para o compreender e lutar contra a corrente. Por isso, sim, este é o livro a que vou dedicar o meu verão.

 

Boas leituras!

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