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Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Marketing

ó menina, 17.06.16

Há dias, quando regressava a casa, fui abordada por um senhor, um jovem, que me pediu uma 'pequena moeda'. Disse que estava com fome e que lhe faltava um euro para completar o valor de uma refeição na cantina social. Era tarde, eu estava sozinha, o rosto não me era desconhecido e a situação não me inspirou confiança pelo que lamentei não poder ajudar e segui sem abrir ou largar a mala. 

Uma das razões para a recusa foi o facto de ter visto, ao longe, o homem separar-se de um companheiro que seguiu na direcção contrária abordando outros com o mesmo objectivo, uma pequena moeda.

O rosto era-me familiar, dos grupos de toxicodependentes com que me cruzo quando regresso a casa, não tenho queixas deles, nunca me tinham abordado.Não fosse o adiantado da hora, impróprio ao funcionamento de qualquer cantina, e eu teria cedido. Dava-lhe a moeda sem hesitar apesar de o ter reconhecido.

O homem estava bem arranjado, notava-se que tinha esmero, vaidade. Abordou-me com um Boa Noite, efusivo e com um sorriso simpático apesar de desdentado. Contou-me o que pretendia, desvalorizou o pedido que me fazia ao classificar a moeda como 'pequena', usou o argumento da fome transferindo para mim a responsabilidade pela consequência da recusa... Fez-me pensar que gente como ele está desaproveitada. Os call centers de vendas deviam aproveitar o seu Know how , afinal são gente treinada a vender o que de mais difícil há para vender. Eles vendem-se a si mesmos. Não é fácil! Eu teria cedido, apesar de o conhecer, porque é muito bom no que faz e como faz.

As linhas de vendas deviam ter um programa de requalificação destes homens, tiravam-nos das ruas e aproveitavam as suas técnicas de marketing.  

 

Obrigada, pelo seu contacto.

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