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Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

'O Infoproletariado'

ó menina, 10.01.16

Roubei o título 'O Infoproletariado' a  um texto partilhado por António Alves, no Aventar. O autor, a quem peço desde já desculpa pelo furto, partilha a sua visão, como espectador, de um call center e das pessoas que nele trabalham. 

 Diz:

'O ambiente é fabril. As grandes levas humanas nas trocas de turno fazem-me lembrar as grandes fábricas têxteis que existiam no Norte de Portugal nos anos 70/80 do século passado. Muita gente nova. São a maioria esmagadora. Trintões e quarentões são raros. Raparigas aos magotes como nas velhas têxteis. São o sexo predominante. Muitas delas com a bolsa da marmita a tiracolo. O que as distingue das antigas operárias industriais, que estávamos habituados a ver, é o porte, a atitude e as roupas muito mais polidas e cuidadas. Mas são muito mais tristes, caladas e cinzentas do que eram as antigas operárias. Não se ouve aquela algazarra alegre e colorida das raparigas da fábrica de antigamente. São outros tempos.'

Estas raparigas dos callcenters vêem aquilo como uma prisão. (...) Elas foram criadas e educadas para serem aquilo que as mães, muitas delas as antigas operárias, nunca foram. Para outros voos. Não foram criadas para estarem presas na fábrica das informações. Na mecânica repetitiva dos “diálogos” normalizados, formatados e mensurados ao segundo. Daí a sua tristeza.'

 

Por vezes pergunto-me, no regresso a casa, como é que as pessoas me vêem ou se me vêem sequer. Parece que sim, vêem-me. Vêem-me melhor do que pensava.

 

 

 

Obrigada!

 

 

 

 

 

2 comentários

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    ó menina 10.01.2016

    Incompreensível a desconsideração profissional que temos, a pressão a que estamos sujeitos, a falta de estruturas e legislação que nos defendam da precariedade e nos proporcionem mais qualidade de vida.
    Trabalhar num call center não é só ligar para casa das pessoas fora de horas a vender coisas. Eu nunca fiz isso! É um sector cada vez mais alargado e que chega a todos. Agrada-me que parem para nos ver.

    Obrigada, bom domingo!

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