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Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

ó menina, gostavas de ser pulverizada viva?

ó menina, 03.06.15

 

Queria contar-vos uma história mas, agora, com aquilo dos caracóis tenho medo...

É que há por aí muitos grupos extremistas: a extrema direita, a ETA, o Estado Islâmico... mas nenhum é tão violento como o dos defensores dos animais.

 

Pronto, pronto... já que pedem tanto, eu corro o risco e conto na mesma.

 

Há umas semanas, quando o calor começou a apertar, acordei, tratei da higiene ainda com os olhos semicerrados e contrariada preparei-me para sair. Pus a minha capa, qual super-mulher e arregalei os olhos, despertando para a atenção que a centena de clientes que me espera todos os dias merece. Foi então que quando ia pegar na minha mala, estrategicamente largada ao calhas na secretaria que fica junto à janela, me deparei com um carreiro de pequenos seres que saíam apressados pelo orifício da fita da persiana.

Dezenas de formigas tinham decidido visitar o meu quarto nesse dia. Andai lá, que quando voltar trato-vos da saúde! Pensei eu, encarnando a costela nortenha que me visita nessas horas.

Atrasada, como sempre, a ó menina (que sou eu, caso estejam a questionar) fez um sprint até à paragem do autocarro, rezou toda a viagem para que os semáforos estivessem verdes e há hora devida estava na sua secretária a trabalhar Olá, fala a ó menina, em que posso ajudar? quando vê passar à sua frente, sobre o tampo da sua alva secretaria, um pequeno ser e pensa - olha, olha, aqui também há formigas! 

Passou a primeira, passou a segunda, passou a terceira... e a ó menina achou estranho que tantos pequenos seres viessem da zona onde tinha pousado, estrategicamente, a sua mala. Foi então que, em camera lenta, agarrou na mala e percebeu que tinha transportado consigo, ao ombro, desde casa até ao trabalho, um autentico formigueiro. 

Assim que teve oportunidade a ó menina foi à casa-de-banho revirar a mala e revirar-se a si. Despiu, sacudiu e vestiu várias vezes a roupa até sentir que se tinha livrado da praga. No regresso a casa, comprou uma lata do melhor mata formigas que encontrou despejou-a inteirinha no quarto e nunca mais se avistaram os pequenos seres.

 

Agora, vêm os defensores dos animais e perguntam:

- Ó menina gostavas que te pulverizassem viva?

E a ó menina:

- Hum... Se for com o melhor Chanel, porque não?

 

Obrigada, pelo seu contacto!

 

 

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