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Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Por mais valorosos que sejam os seus últimos actos, o Rui Pinto não é um Príncipe num conto de fadas

ó menina, 30.01.20

Não coloco nem colocarei em causa o valor das denúncias realizadas pelo 'hacker' Rui Pinto. No entanto, não há como não reconhecer que as provas apresentadas foram obtidas de forma ilegal e questionar se alguma vez iríamos beneficiar da boa vontade que mostra, agora, caso não tivesse sido preso por causa do futebol.
Sou a favor de que o Estado gaste, e bem, recursos e dinheiro a investigar qualquer denúncia que lhe chegue a fim de recolher provas sólidas que permitam avançar com acusações. Portanto se o Rui Pinto demonstrar que fez uma denúncia anterior ao caso Benfica devo-lhe um agradecimento e sinto-me autorizada a querer ouvir a Procuradoria da República acerca disto. Mas se, por outro lado, se verificar que o fez apenas depois de estar preso, ou em vias de, sinto que para além do agradecimento tenho que colocar em causa as suas razões e o seu carácter. Se alguns dos documentos apresentados têm mais de dois anos e não tinham sido usados até aqui o que é que alguém que os obteve ilegalmente fazia com eles? Chantagem? Extorsão? E mais uma série de crimes que lhe permitiam viver à custa deles?

Não sou uma tontinha que acredita na bondade pura. Já nem os religiosos são o que eram. Já reperaram que anda um padre a brincar às máscara, rodeado de bailarinas desnudas, num programa de TV? Sim! Foi aqui que ouviram primeiro e eu nem sou hacker (mentira! já se comenta em todo o lado). O homem fez provavelmente um voto de pobreza mas anda a ganhar dinheiro nas cantiguinhas, podia estar na China a ajudar no combate à epidemia ou em Angola a ajudar os desalojados do empreendimento da Isabel dos Santos... Mas não. O homem está na TV a ganhar dinheiro brincando às máscaras. Imaginemos que ele vinha, agora, só porque eu estou a dizer isto, informar que o dinheiro é para um lar, para pôr o telhado na casa de um pobre ou outra boa acção qualquer se não nos provasse que a sua intenção já era essa antes do programa todos iríamos duvidar do seu carácter.

- Ó Menina, não achas que isto do padre Borga é um exemplo fraquinho? - perguntam vocês.

Lembrem-se que também estou a escrever para adeptos do Benfica que só chegam a estas questões porque elas passaram pelo futebol.

Mas, se querem outro exemplo, lembrem-se do Robin Hood (sim, hood de boina e não wood de bosque). O Robin pretendia minar o poder régio que se centralizara, prejudicando os barões com o seu rigor fiscal, desde o tempo do Ricardo Coração-de-Leão. Não tinha como objectivo principal roubar os ricos para dar aos pobres, os pobres eram-lhe necessários para se manter rodeado de uma massa que o apoiasse e protegesse.

Não há bonzinhos puros como nos contos de fadas e o Rui Pinto, por mais que aquele rosto simétrico de príncipe ficasse bem nuns collants, não é, definitivamente, um. 

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Via Rui Pinto

Sim, nós merecemos saber mais e se for pelas razões certas melhor. 

 

 

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