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Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Estado de Emergência #dia4

ó menina, 22.03.20

Chamemo-nos Margarida

"Venho trabalhar com medo. Trabalhamos 24 horas e em turnos, nesta sexta-feira estávamos 50 pessoas no mesmo espaço. Todos os dias mudamos de computador, o mesmo lugar pode ser usado por três a quatro pessoas. A partir de hoje, pediram para ficarmos em cadeiras afastadas, de manhã foi possível mas à tarde não porque éramos muitos. Estamos assustados, em pânico, pensar que alguém, incluindo eu, poderá ter o vírus e o estar a espalhar aos outros."

'É o relato de uma funcionária da Webhelp, um call center francês presente em 35 países, incluindo Portugal, e com mais de 55 mil funcionários. Não quer revelar o nome, com medo de ser despedida, chamemos-lhe Margarida.'

'O "medo" leva as pessoas a faltar, meter férias, outras aguentam porque "têm contas para pagar". É a situação de muitos trabalhadores dos call centers, que prestam serviços à distância mas não podem fazer teletrabalho. Marcaram greve para terça-feira'

In DN

O Estado de Emergência, em Portugal, limita o direito à Greve!

Existem 422 Call Centers (registados) com mais de 100 mil trabalhadores, em Portugal.

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imagem da net

Prova superada com distinção pelos trabalhadores do Call Center Randstad/NOS Coimbra ✅ Adesão à greve superou os 90%

ó menina, 11.03.20

Coimbra dos Call Centers, é uma lição e tem pré-aviso de greve para amanhã, 10 de Março na Randstad/Nos

ó menina, 09.03.20

Na Coimbra dos Call Centers, os comunicadores viram os seus rendimentos reduzidos em 200 euros mensais com o corte de um subsídio fixo que receberam ininterruptamente durante anos e vêem, todos os dias, o princípio de para trabalho igual salário igual violado com o pagamento de subsídios de alimentação diferentes entre comunicadores com as mesmas funções. Por estas e mais razões que abaixo irei transcrever iniciaram um processo negocial com a empresa que só não obteve uma resposta negativa porque não obteve resposta alguma.

Hoje reunem-se pela terceira vez em plenário, já com pré-aviso de greve para amanhã, 10 de Março.

A greve pode ser cancelada caso a Randstad resolva responder positivamente às reivindicações dos trabalhadores, mas nós já os conhecemos.

Os trabalhadores prometem mostrar à cidade a sua luta e partilhar as reivindicações com quem desconhece que naquela tão ilustre cidade do conhecimento a precariedade laboral potenciada por engenhosos processos de outsourcing é igual à do resto do país.

Numa cidade que parece adormecida desde 1969, quem puder, junte-se a eles, para gritar alvorada e despertar a zona centro.

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Abaixo podem ler o pré-aviso de Greve colocado pelo STCC para 10 de março na Randstad/NOS de Coimbra

Ao Ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social;
À administração da Randstad;

O Sindicato dos Trabalhadores de Call-Center vem por este meio colocar um aviso prévio de Greve para o Call-Center da Randstad, Projecto NOS de Coimbra, para o dia 10 de Março de 2020, das 00h às 24h.

Este aviso prévio resulta da decisão unânime dos trabalhadores do referido call-center reunidos em Plenário, no passado dia 21. Esta decisão unânime dos trabalhadores resulta da ausência de resposta ao caderno reivindicativo elaborado em Plenário anterior e igualmente votado por unanimidade, que foi endereçado à Randstad no dia 21 de Janeiro, tendo sido dado um mês para resposta. Na ausência da mesma, os trabalhadores vêm-se obrigados a convocar greve.

Tendo sido o STCC, e por esta via, os trabalhadores, informado que a Randstad pretende dar uma resposta ao Caderno Reivindicativo até dia 6 de Março e não querendo mostrar uma posição intransigente nem tendo, trabalhadores e Sindicato, qualquer interesse especial em avançar para a greve, a ratificação ou não da Greve e a concretização da mesma estarão dependentes da avaliação feita pelos trabalhadores da resposta a ser dada até dia 6 pela Randstad. Neste sentido, haverá novo Plenário no dia 9 para que os trabalhadores possam tomar essa decisão. Caso as reivindicações apresentadas seja satisfeitas, os trabalhadores irão avaliar a possibilidade de não concretizar a paralisação que estamos por este meio a convocar.

No sentido do que foi referido acima e na sequência do Caderno Reivindicativo elaborado pelos trabalhadores em Plenário, a greve tem como base as seguintes reivindicações:
Restituição do subsídio fixo de 200€ para todos/as os/as trabalhadores/as. O mesmo não deve estar sujeito a cortes senão na proporção a eventuais faltas dadas, na mesma medida em que sucede com o salário-base. O mesmo não deve impedir eventuais futuras atualizações do Salário Mínimo Nacional. Este não pode igualmente interferir com o pagamento de comissões/prémios referentes ao cumprimento de objetivos;

- Igualdade no Subsídio de Alimentação pago aos trabalhadores/as. Essa igualdade deve ser alcançada através do nivelamento por cima dos subsídios atualmente pagos. O que se traduz no pagamento do subsídio de alimentação de 7.63€ diários as todos/as os/as trabalhadores/as;

- Efetivação de todos/as os/as trabalhadores/as ao fim de três anos de trabalho, com efeitos retroativos. Ou seja, garantindo a efetivação de todos/as os/as trabalhadores/as que atualmente já ultrapassaram esse limite;

- Aumento do tempo de pausa para 6 minutos por hora;

- Contabilização e pagamento do tempo trabalhado após o término do horário de trabalho mediante o estabelecido por lei (art. 203 do Código de Trabalho);

- Os horários a cumprir pelos/as trabalhadores/as devem ser fixos, sem ser sujeitos a alterações;

- Deve ser dado o direito a todos/as os/as trabalhadores/as a escolher entre o pagamento do subsídio de alimentação em cartão de refeição ou em numerário, pago juntamente com vencimento mensal;

- As fórmulas de calculo dos prémios/comissões dependentes de objetivos comerciais ou outros devem ser afixadas e do conhecimento de todos/as os/as trabalhadores/as. As mesmas devem ser mantidas sem alterações por períodos mínimos de um ano. Caso pretenda altera-las, a entidade patronal deve avisar o(s) Sindicato(s) com representação no local de trabalho com um mínimo de um mês de antecedência, de forma a este poder consultar os/as trabalhadores/as e elaborar um parecer. No caso de serem apresentadas dúvidas por parte de algum trabalhador/a sobre a correspondência entre os valores de prémios/comissões que lhe sejam pagos e as fórmulas em vigor, a entidade patronal está obrigada a prestar esclarecimentos através do/a(s) delegado/a(s) sindical ou com o conhecimento do/a(s) mesmo/a(s);

- Os Headsets devem ser atribuídos individualmente a cada trabalhador(a);

- Deve ser reforçada a qualidade da limpeza do espaço de trabalho, assim como da Copa, Micro-Ondas e W.C., com o reforço dos meios humanos e materiais da mesma, caso necessário;

- Deve ser reforçada a qualidade da limpeza e manutenção dos Ares Condicionados, assim como garantidas limpezas e monitorizações periódicas dos mesmos;

- As normas decorrentes da satisfação das presentes propostas devem consubstanciar-se sob a forma de um Regulamento Interno, que deve ser afixado de forma permanente em local acessível a todos/as os/as trabalhadores/as, sem prejuízo de serem igualmente consubstanciadas em adendas aos contratos dos/as trabalhadores/as presentes e futuros;

Não havendo no local de trabalho abrangido por este aviso prévio prestação de quaisquer serviços mínimos de satisfação de necessidades sociais indispensáveis, não haverá lugar a serviço mínimos, como previsto no artigo 537º do Código de Trabalho.

Lisboa, 25 de Fevereiro de 2020,

A Direção do STCC

 

E se uma greve vos obrigar a alterar os planos para o Natal?

ó menina, 05.12.19

E se uma greve vos obrigar a alterar os planos para o Natal?

Ficais definitivamente alerta e solidários com as reivindicações do grupo de trabalhadores em luta, que podem vir a ser as vossas ou as dos vossos filhos? Ou, pelo contrário, maldizeis aqueles que estão a passar mais um Natal incerto, afastados dos seus e exaustos de tantas horas extra para que as vossas encomendas cheguem a horas e os vossos serviços estejam todos a funcionar?

Ireis voltar-vos contra aqueles que sem a greve nem a certeza de que estão a exercer a revolta necessária para conduzir a uma maior felicidade teriam ou ireis compreender?

Eu percebo que o Natal é uma época de reunião e partilha mas também é de consumismo e egoísmo. Acredito que devemos passar o Natal com a certeza de que a nossa festa não estraga a festa de outros. E não, não me refiro aos trabalhadores de Call Center de entregas ou serviços em greve. Refiro-me aos que não compram com antecedência, não subscrevem com antecedência, não esperam umas horas para reclamar serviços não urgentes...

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A greve intermitente decidida nos plenários dos trabalhadores de Contact Center prolonga-se até 22 de Dezembro.

Até essa data os trabalhadores das empresas abrangidas pelo pré-aviso podem fazer greve nos horários de maior trafego/fluxo de chamadas: 11h00 - 12h30; 15h00 - 16h30; 19h30 - 21h00.

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Manifestem-se, revoltem-se, sejam solidários, mas com o espírito certo. Planeiem com antecedência!

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Na primeira imagem, campanha da Bell Telephone System, que numa época em que as chamadas ainda necessitavam da ajuda de uma Menina, pediam aos utilizadores para telefonar noutro dia.

'Não somos números, somos pessoas'

ó menina, 04.09.19

Não somos números, somos pessoas. Foi por isso que, hoje, 04 de Setembro de 2019 os trabalhadores da Teleperformance de Setúbal fizeram greve

Porque parece muito difícil fazer compreender aos outros que tipo de lutas travam diariamente os trabalhadores do sector foi distribuído um comunicado à população que passo a transcrever.

Nós, trabalhadores da Teleperformance de Setúbal, hoje, dia 4 de Setembro fazemos greve. Fazemo-nos ouvir pelas ruas de Setúbal. Não aceitamos cortes nos nossos vencimentos, não aceitamos salários de miséria, não aceitamos o assédio moral e a precariedade!

Fazemos greve e saímos à rua porque a Teleperformance de Setúbal anunciou que iria cortar 78€ dos nossos vencimentos, de forma ilegal. Lutamos contra o corte mal disfarçado do chamado “Prémio de Assiduidade”, que na verdade não é um prémio mas uma componente fixa do rendimento que é necessária nas nossas casas para pagar a renda, as contas e por comida na mesa

Lutamos também porque a Teleperformance nos trata como números, não como pessoas. Porque os colegas mais novos, nem sequer têm direito aos 78€ que agora querem cortar aos mais velhos. Lutamos porque nos exigem um esforço máximo, mas pagam-nos o salário mínimo. Lutamos porque os nossos contratos são precários. Lutamos porque a Teleperformance se serve de uma Empresa Fantasma, a Emprecede, para adiar por anos a fio a nossa efectivação. Lutamos porque o Assédio Moral leva dezenas de colegas a esgotamentos e depressões. Lutamos porque somos penalizados brutalmente por faltas por assistência à família e por faltas dadas por doenças causadas pelas próprias condições de trabalho. Lutamos ainda contra a adaptabilidade e o abuso da horas extraordinárias.

Ao contrário do que quer fazer parecer, a Teleperformance não cria na cidade de Setúbal emprego estável e com direitos. É uma empresa que contrata muita gente – mas despede também muito. A Teleperformance fomenta a precariedade, os baixos salários e a instabilidade nas vidas dos trabalhadores. Isso tem de mudar!

Apelamos a toda a população de Setúbal, aos trabalhadores das outras empresas que sejam solidários. Assim como pedimos às instituições públicas, como a Câmara municipal ou a ACT, que tomem uma posição. Não aceitem o corte nos nossos vencimentos. Não aceitem a precariedade, os salários de miséria, o assédio e a instabilidade.

 

Força nisso, Ó Meninos!

Tempo de Mudar

ó menina, 25.06.19

Mais uma vez os 'Ó Meninos' dos call centers do projecto EDP da Randstad mostraram como se deve comportar um grupo de trabalhadores unidos que compreendem que um dos princípios da luta laboral é a solidariedade. Ontem, dia 24-06-2019, levaram a cabo uma greve que contou com 90% de adesão.

 

Em 2010, a Randstad apresentava-se como uma alternativa de confiança. Uma marca que chegava depois da Select e da Vedior para mudar o panorama laboral. Cheia de actores sorridentes como os dos bancos de imagens onde vai buscar o sorriso que os colaboradores supostamente exibem quando pensam que trabalham para a Randstad Portugal. Em vez desses sorrisos deviam filmar ou fotografar a cara dos trabalhadores quando respondem a inquéritos internos sobre a sua satisfação laboral. Melhor ainda seria filmá-los enquanto respondem a inquéritos alegadamente anónimos sobre a sua confiança na empresa esse gigante de lucros anuais a rondar os 500 milhões de euros mas que pratica salários base que não garantem ao trabalhador uma subsistência mínima, digna e sem o jugo de quem está permanentemente no limiar da pobreza (sim, o salário minimo nacional é uma merda!).

 

Não se esqueçam do sorriso na voz, Ó Meninos! Não quero que sejam despedidos...