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Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Live 'em directo'

ó menina, 18.04.20

Hoje é sábado, saí de casa pela segunda vez e agora estou estirada no sofá com a moleza a que qualquer sábado comum convida. Faço scroll pelas redes sociais enquanto os velhos westerns ocupam a TV e espanto-me com o tanto de partilhas da intimidade que vejo e de como algumas pessoas estão ainda mais carentes do 'gosto' ou da aprovação dos outros do que estavam cá fora, antes do confinamento.

Deixo-vos uma musiquinha com um vídeo muito interessante. A Páscoa já passou mas ainda vem a tempo.

Kill yourself live by Mudhoney

Musiquinha de espera #anti-racismo

ó menina, 16.02.20

Não percebo, nem quero perceber, de futebol mas tal não me impede de ficar extremamente indignada com o momento triste vivido pelo jogador Marega enquanto executava o seu trabalho.

Momentos como este deixam-me profundamente envergonhada por viver numa sociedade onde igualdade não é um conceito reconhecido por todos. 

'When do I Get to be Called a Man'  by 

Big Bill Broonzy

Musiquinha de espera #especial Óscares

ó menina, 09.02.20

 

Esta edição dos Óscares não tem muito interesse no que a música se refere. O '1917' tem uma excelente banda sonora e até tem uma cena extraordinária com música mas, este ano, não há uma canção original que deixe memória.
Com tantas edições de óscares na História do cinema, que não é curta, podemos reunir uma enorme playlist de classicos que toda a gente conhece, do Feiticeiro de Oz, da Mary Poppins, do cancioneiro mais popular americano ou do disco (Donna Summer). Algumas ganham vida no cinema para rapidamente se libertarem da película e trilhar uma vida própria.
Há anos trabalhava num barracão por turnos onde os turnos da noite estranhamente me calhavam sempre a mim, dada a escassez de transportes públicos nocturnos tinha que atravessar sozinha, de madrugada, uma zona menos nobre da cidade. As pessoas que habitavam aquela rua não tinham casa mas tinham os seus objectos e os seus hábitos, mantinham as suas rotinas pelo que ao fim de uns dias deixaram de me ver como intrusa e passaram a cumprimentar-me como se fossemos vizinhos. Um dos habitantes da rua tinha uma guitarra. A guitarra mais desafinada que alguma vez ouvi. Quando me via aproximar, largava o pacote de vinho do Dia , agarrava na guitarra e tentava entoar uma canção do Nat King Cole premiada com um Óscar. Aparentemente o senhor também me achava parecida com o personagem de um quadro do da Vinci (acontece-me! Não tenho culpa!). O filme 'Captain Carey' é um noir de espionagem pouco conhecido e duvido que o intrépido cantor o tivesse visto mas conhecia a canção.
Outras canções são mais difíceis de dissociar do filme.
Não consigo enumerar nenhuma outra canção da Aimee Mann mas conheço de cor a 'Wise up' que compôs para o filme Magnólia. Foi autora de várias canções para o mesmo filme mas a sua interpretação pelos personagens do filme faz com que não consiga ouvir a 'Wise Up' sem pensar no filme, em violência doméstica, eutanásia, adições, abuso de menores, bullying, no personagem ridículo do Tom Cruise...

Portanto, deixo-vos este momento, cheio de coisas boas, para acompanhar a vossa preparação para a noitada de Óscares.

Sem mais conversas que tenho mesmo que ir ver o Jojo Rabbit. A gripe impediu-me de tratar disso ontem. A gripe ou a ressaca, não sei bem.  A verdade é que ando a recomendá-lo desde Novembro a pessoas que já o viram e eu ainda não vi. Não pode ser.

 

Disponham!

Musiquinha de espera #paradiascinzentos

ó menina, 25.01.20

 

Nos dias cinzentos, em cujas nuvens carreguem qualquer crise ou dúvida existencial, devemos ver um filme.

Sim. Passear na natureza, ver os passarinhos e tal também é muito bonito mas se Deus que criou a natureza também criou o Homem e o Homem criou o cinema para quê desperdiçar. Certo? Certo!

Sugiro «This Must be the Place» do Paolo Sorrentino. 

E, depois de umas belas bofetadas que nos atiram para longe de qualquer apatia e nos despertam empatia por tudo, por todos, devemos aproveitar a maravilhosa banda sonora que para além das peças líricas dos 'The Pieces of Shit', banda especificamente produzida para o filme por David Byrne e 'Bonnie Prince Billy' também recorda o clássico dos Talking Heads 'This Must be the Place', que empresta o título ao filme, com interpretação do próprio David Byrne que envelheceu muito bem e continua a ser uma voz muito lúcida.