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Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Um desafio que merece destaque

ó menina, 30.06.20

"Um dos desafios que o teletrabalho nos trouxe foi o de manter no trabalhador o sentimento de pertença ao colectivo" Foi a frase escolhida, pela equipa do SapoBlogs para destacar o post anterior. Muito bem escolhida, eu realmente às vezes digo coisas que sim senhora...

No post destacado partilhava a luta dos trabalhadores do Call Center NOS/RANDSTAD de Coimbra que incluiu um teleprotesto que decorreu durante a tarde de hoje. Um teleprotesto em que participaram os trabalhadores que estão em greve, organizações sindicais, alguns dirigentes políticos e um deputado do BE.

Quem quiser ouvir as reivindicações dos trabalhares na primeira pessoa pode fazê-lo na página de Facebook do STCC que é o sindicato que os acompanha mais activamente neste processo, Tás Logado? 

Eu já fui espreitar.

Repito a frase destacada, sem cortes e com acréscimo:

'Um dos desafios que o teletrabalho nos trouxe foi o de manter no trabalhador o sentimento de pertença ao colectivo, não sei como é que os CEOs da RANDSTAD estão a lidar com isso, mas os sindicatos parecem estar a superá-lo com distinção', os trabalhadores ainda mais. 

 

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Ainda o Teletrabalho

ó menina, 23.06.20

Ontem, naquele espaço semanal que a RTP1 usa para fingir serviço público, o 'Prós e Contras', José Miguel Leonardo -CEO da Randstad Portugal debateu acerca do teletrabalho.

Entre outras coisas, referiu-se ao momento presente como uma 'situação de excepção que ainda não terminou' pelo que ainda não é possível dizer se o Teletrabalho veio ou não para ficar mas que o importante é procurar (para o teletrabalhador) o equilíbrio entre vida pessoal/familiar e profissional.

Deve ser por isso que a Randstad mantém neste momento por decisão unilateral, sem acordo com os trabalhadores, várias equipas em teletrabalho sem uma previsão de até quando pretende fazê-lo. Por mais que os trabalhadores concordem que se a empresa não tem condições de higiene e segurança para os receber o melhor é permanecer em teletrabalho, até para dizer que sim a Randstad deve ouvi-los e não ignorar a sua personalidade nomeadamente a jurídica.

Estamos num período de excepção mas a excepção legal para o teletrabalho terminou a 01 de Junho. O correcto seria que a Randstad e demais empresas, considerando que não reunem condições para terminar com o teletrabalho, propusessem aos trabalhadores manter a situação por 2,3 meses deixando-os assim com uma data, uma previsão. 

Não é possível o CEO de uma empresa que não o faz ir vender a sua marca para a televisão pelo epíteto de que se preocupa com o equilíbrio entre vida pessoal e profissional dos trabalhadores quando os mantém numa situação em que não sabem se amanhã os colocam ou não em trabalho presencial.

Enquanto a Randstad se vende na televisão pública os seus trabalhadores perdem o sono, sem saber o que vão fazer com os filhos se os chamarem de um momento para o outro, como vai ser com o estacionamento, os transportes, as máscaras... o Sr José Miguel Leonardo pode dizer-se muito preocupado com os seus mas a 'família' Randstad não tem como lho reconhecer apenas desconfiar que as verdadeiras intenções são as de manter a poupança proporcionada pelo teletrabalho em sectores como os call centers onde os custos de produção são sobretudo indirectos e estão agora do lado dos trabalhadores a quem a empresa não dá qualquer compensação.

Anseio por um 'Prós e Contras' sobre 'lay off' com o CEO da Randstad. Fica a sugestão!

 

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Prova superada com distinção pelos trabalhadores do Call Center Randstad/NOS Coimbra ✅ Adesão à greve superou os 90%

ó menina, 11.03.20

E depois da diversão... cagufa! Ou, de como somos negligentes com os nossos dados

ó menina, 22.07.19

Depois de se divertirem com a face app de envelhecimento, com que também eu me diverti no post anterior, os portugueses entraram em estado de alerta que é como quem diz cagufa.

Cagufa, porque ficaram com medo de que os Russos lhes roubassem os dados solicitados pela aplicação. Como se esses seres de cultura superior, a quem pedimos que guardassem naquela que deve ser a maior e melhor biblioteca de inéditos por publicar do mundo, a cave do Kremlin arquivos da PIDE/DGS algum dia, esses seres, nos fizessem isso. 

Claro que não, mas aproveitando o súbito interesse dos portugueses na protecção dos seus dados e, já agora o do Banco de Portugal que acabou de publicar uma lista de grandes devedores à banca sem nomes, para vos dar conta de algo que passou um pouco ao lado da maioria:

- No passado dia 01 de Junho o call center do Novo Banco passou para a Randstad. Os dados dos seus clientes passaram assim a ser disponibilizados a uma empresa que não está sujeita a sigilo bancário sem o consentimento ou conhecimento dos clientes.

Os novos funcionários do centro de atendimento do banco passam a ser recrutados e contratados pela Randstad, empresa de trabalho temporário. 

Não quero com isto aumentar o estado de alerta, ou cagufa em que se encontram mas fica a chamada de atenção. Pensamos que a precariedade, a falta de reconhecimento e a remuneração abaixo das qualificações nos Call Centers são problemas exclusivos dos que lá estão só que não, todos estamos expostos a estas empresas de outsourcing que só se importam com números e não querem saber de pessoas. 

Se a preocupação demonstrada com uma brincadeira de Facebook fosse demonstrada para este tipo de situação talvez a legislatura não terminasse com um trabalho tão  parco em matéria laboral.

 

Disponham sempre! 

 

Tempo de Mudar

ó menina, 25.06.19

Mais uma vez os 'Ó Meninos' dos call centers do projecto EDP da Randstad mostraram como se deve comportar um grupo de trabalhadores unidos que compreendem que um dos princípios da luta laboral é a solidariedade. Ontem, dia 24-06-2019, levaram a cabo uma greve que contou com 90% de adesão.

 

Em 2010, a Randstad apresentava-se como uma alternativa de confiança. Uma marca que chegava depois da Select e da Vedior para mudar o panorama laboral. Cheia de actores sorridentes como os dos bancos de imagens onde vai buscar o sorriso que os colaboradores supostamente exibem quando pensam que trabalham para a Randstad Portugal. Em vez desses sorrisos deviam filmar ou fotografar a cara dos trabalhadores quando respondem a inquéritos internos sobre a sua satisfação laboral. Melhor ainda seria filmá-los enquanto respondem a inquéritos alegadamente anónimos sobre a sua confiança na empresa esse gigante de lucros anuais a rondar os 500 milhões de euros mas que pratica salários base que não garantem ao trabalhador uma subsistência mínima, digna e sem o jugo de quem está permanentemente no limiar da pobreza (sim, o salário minimo nacional é uma merda!).

 

Não se esqueçam do sorriso na voz, Ó Meninos! Não quero que sejam despedidos...