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Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Ó Menina

Notas de uma menina que, por acaso, trabalha num call center

Ainda o Teletrabalho

ó menina, 23.06.20

Ontem, naquele espaço semanal que a RTP1 usa para fingir serviço público, o 'Prós e Contras', José Miguel Leonardo -CEO da Randstad Portugal debateu acerca do teletrabalho.

Entre outras coisas, referiu-se ao momento presente como uma 'situação de excepção que ainda não terminou' pelo que ainda não é possível dizer se o Teletrabalho veio ou não para ficar mas que o importante é procurar (para o teletrabalhador) o equilíbrio entre vida pessoal/familiar e profissional.

Deve ser por isso que a Randstad mantém neste momento por decisão unilateral, sem acordo com os trabalhadores, várias equipas em teletrabalho sem uma previsão de até quando pretende fazê-lo. Por mais que os trabalhadores concordem que se a empresa não tem condições de higiene e segurança para os receber o melhor é permanecer em teletrabalho, até para dizer que sim a Randstad deve ouvi-los e não ignorar a sua personalidade nomeadamente a jurídica.

Estamos num período de excepção mas a excepção legal para o teletrabalho terminou a 01 de Junho. O correcto seria que a Randstad e demais empresas, considerando que não reunem condições para terminar com o teletrabalho, propusessem aos trabalhadores manter a situação por 2,3 meses deixando-os assim com uma data, uma previsão. 

Não é possível o CEO de uma empresa que não o faz ir vender a sua marca para a televisão pelo epíteto de que se preocupa com o equilíbrio entre vida pessoal e profissional dos trabalhadores quando os mantém numa situação em que não sabem se amanhã os colocam ou não em trabalho presencial.

Enquanto a Randstad se vende na televisão pública os seus trabalhadores perdem o sono, sem saber o que vão fazer com os filhos se os chamarem de um momento para o outro, como vai ser com o estacionamento, os transportes, as máscaras... o Sr José Miguel Leonardo pode dizer-se muito preocupado com os seus mas a 'família' Randstad não tem como lho reconhecer apenas desconfiar que as verdadeiras intenções são as de manter a poupança proporcionada pelo teletrabalho em sectores como os call centers onde os custos de produção são sobretudo indirectos e estão agora do lado dos trabalhadores a quem a empresa não dá qualquer compensação.

Anseio por um 'Prós e Contras' sobre 'lay off' com o CEO da Randstad. Fica a sugestão!

 

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Teletrabalho, Quando? Como? Onde?

ó menina, 30.05.20

O Governo anunciou que a partir de segunda-feira (01-06-2020) deixa de ser obrigatório o teletrabalho e até hoje sábado (30-05-2020) muitos trabalhadores continuam sem saber se segunda-feira devem apresentar-se na empresa ou continuar em casa. No sector dos call centers muitas empresas de trabalho temporário desculpam-se com o facto de os edifícios serem responsabilidade das empresas a quem prestam serviço e estas ainda não as terem informado. 

Inadmissível!

Por mais que as empresas, os patrões e os chefes desta vida apresentem aos trabalhadores guias onde informam que não devem estar em sítio que os impeça de estar no local de trabalho no prazo de duas horas caso lhes seja solicitado, sabem perfeitamente que a estabilidade do trabalhador é fulcral para a sua produtividade e numa situação excepcional em que foi solicitado aos trabalhadores que vestissem a camisola passando a teletrabalho, de um momento para o outro, arcando com despesas adicionais nas suas contas domésticas (electricidade, água, Internet e outras) o que se exigia era o mínimo de respeito. 

Os pais que estão em Teletrabalho por mais que creches ou pré-primárias tenham reaberto, como não há ATLs e actividades complementares têm que saber com o que contar. Quem não usa transportes públicos há dois meses tem que se reorganizar para correr o menor risco possível no caso de ter que voltar ao trabalho. E, todos têm que saber em que grupo se incluem caso as empresas decidam trabalhar em espelho, algo que é imperativo regular. 

O DN tem um artigo de ontem 29-05-2020 onde se debate quais as condições do que é ainda uma incerteza para muito, sendo que uma coisa é certa sem recomendações ou regulamentação adicional o regime de teletrabalho mesmo que na sua forma mista carece de um contrato escrito. 

'O Governo fez saber que para a generalidade dos casos voltarão a vigorar as regras vigentes no Código do Trabalho, e que exigem acordo escrito entre empregadores e trabalhadores. Não fazê-lo, lembram os especialistas em direito laboral, constitui contraordenação leve. Mas a questão deverá pôr-se também para quem passará a fazer turnos em espelho - parte do trabalho continuará a não ser realizado presencialmente. Ou seja, haverá teletrabalho parcial.

A questão sobre a regulamentação de um "regime misto" (teletrabalho e trabalho presencial) para o quadro da pandemia é suscitada por Pedro da Quitéria Faria, especialista em direito do trabalho, da Antas da Cunha Ecija.

Para o advogado, o Governo pode lançar mão de duas opções. "Uma é criar um outro regime transitório para que agora, durante determinado período de seis ou 12 meses, haja aquilo que já se começa a chamar de teletrabalho misto ou híbrido, em que uma parte da prestação é executada em modalidade de teletrabalho e outra presencialmente. A segunda questão é se vão ou não fazer uma readaptação mais profunda ao próprio regime do teletrabalho que já consta do Código do Trabalho - e que me parece que, no atual contexto, é necessário. Com ponderação, mas é necessário."

Outro especialista em direito do trabalho, Luís Gonçalves da Silva, da Abreu, rejeita para já a segunda opção. "Sem um debate e uma reflexão profunda, também sobre os caminhos alternativos, julgo que mexer no regime do teletrabalho constante do Código do Trabalho é um erro."

As leis do trabalho já enquadram a possibilidade de um regime misto, com a exigência de acordo que deve passar a letra escrita as condições em que o teletrabalho vai ser executado - incluindo período previsto de teletrabalho, mas também propriedade dos meios de trabalho e pagamento de despesas, por exemplo. O empregador também deve comunicar à companhia de seguros o local, ou locais, onde é prestado o trabalho.'

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Teletrabalho, após 31 de Maio, Muito Cuidado

ó menina, 20.05.20

SINTTAV Alerta: Teletrabalho, após 31 de Maio, Muito Cuidado!

Para o SINTTAV - Sindicato Nacional dos trabalhadores das telecomunicações e audiovisual, o 'Teletrabalho veio aumentar a selva laboral'.
'Nesta situação do Teletrabalho, como resultado da "selva laboral" que se vive na generalidade das ETT/Outsourcing, onde a repressão é o "pão de cada dia", nalguns casos a partir das(os) "capatazes" nos locais de trabalho, o medo está instalado e os trabalhadores para não correrem o risco de perder o emprego que embora seja mau, é a sua fonte de rendimento, sujeitam-se a muitas situações inadmissíveis em situação laboral normal.
(...)
O governo já comunicou que a partir de 31 de Maio, cessa a obrigatoriedade de Teletrabalho e volta a ser como antes, ou seja, este só se pode realizar desde que exista um acordo escrito entre o patronato e o trabalhador. O SINTTAV alerta os trabalhadores, dizendo que todos os cuidados são poucos e recomenda que nenhum trabalhador assine qualquer acordo sem consultar o sindicato.
Para o SINTTAV, se as empresas querem Teletrabalho, que se disponibilizem a Negociar um Acordo Global com o nosso sindicato.'

O alerta vem do SINTTAV e refere-se em especial aos trabalhadores de ETT/OUTSOURCING mas estende-se a todos os trabalhadores de todos os sectores e PMEs que queiram aproveitar a oportunidade que a pandemia lhes deu de perceber que os trabalhadores afinal não são uns irresponsáveis preguiçosos, até produzem em casa evitando, às empresas, despesas de água, electricidade e outras que passaram para o trabalhador já que aproveitaram a ausência na lei quanto à forma de cálculo usada para reembolsar o trabalhador das mesma para passar aos trabalhadores a ideia de que, dada a excepcionalidade da pandemia, reclamar esse valor é ser picuinhas e não vestir a camisola.

A vontade que as empresas expressam em passar para o Teletrabalho pode ser a oportunidade de muitos trabalhadores terem o que, até aqui, a ausência de contratação colectiva e o não reconhecimento como profissão (caso dos trabalhadores de Call Center) lhes tem negado. A oportunidade de participar do processo, ter voz, definir as suas condições de trabalho para o futuro. Daí que seja importante o 'Contrato Global'.

Reúnam-se com os vossos colegas, sindicalizem-se, consultem o vosso sindicato, seja ele qual for, ou um advogado especialista em trabalho.

Tenham cuidado e por uma vez não desperdicem a oportunidade de participar na definição do vosso futuro laboral e do futuro dos que venham a integrar o vosso grupo.

Lembrem-se que para os trabalhadores em conflito com a empresa pode ser uma oportunidade de o resolver, através de uma boa negociação.

Não desperdicem o timing!

 

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Teletrabalho: a partir de Junho deixa de ser obrigatório

ó menina, 15.05.20

A partir de Junho, o teletrabalho volta a seguir as regras da legislação em vigor antes do Estado de Emergência, passando a depender do acordo entre empregador e trabalhador.

O Primeiro-ministro disse, hoje que 'deve ser feito um esforço para ser reduzido o teletrabalho' que continua obrigatório até 31 de Maio.

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Desconfinemos...

Reflexões do Teletrabalho

ó menina, 01.04.20

Qual será a pena por abater um vizinho artista, que resolve exibir os seus dotes à varanda sem que lhos tenha solicitado? Hum?

Tá giro, sim senhor. Mas há quem tenha vindo para casa trabalhar. Orientem-se. Escolham bem os dias e os horários. Não usem o momento para fazer do vizinho, a quem até aqui nunca dirigiram um 'Bom dia', mais um inimigo.

Obrigada! 

Estado de Emergência #dia5

ó menina, 23.03.20

Aquele dia em que finalmente nos mandam para casa fazer teletrabalho, mas informam que para isso temos que ser nós a acartar, para casa, um dos 'monos' com que trabalhamos e ao qual chamam 'máquina'.

A maior dificuldade dos call centers, na gestão desta crise, está no desinvestimento em equipamentos, condições e higiene a que as empresas do sector sujeitam habitualmente os seus trabalhadores. Também elas devem aprender com isto.

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Estado de Emergência #dia5

ó menina, 23.03.20

Aquele dia em que finalmente nos mandam para casa fazer teletrabalho, mas informam que para isso temos que ser nós a acartar, para casa, um dos 'monos' com que trabalhamos e ao qual chamam 'máquina'.

A maior dificuldade dos call centers, na gestão desta crise, está no desinvestimento em equipamentos, condições e higiene a que as empresas do sector sujeitam habitualmente os seus trabalhadores. Também elas devem aprender com isto.

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